Crianças com baixo peso estão a aumentar em Portugal

Obesidade e excesso de peso estão a diminuir

14 setembro 2015
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Em Portugal, as crianças com baixo peso estão a aumentar, enquanto a obesidade e o excesso de peso tem diminuído nos últimos anos, dá conta um relatório sobre o estado nutricional infantil.
 
O Childhood Obesity Surveillance Initiative (COSI) monitoriza a obesidade infantil em vários países europeus e é coordenado e conduzido cientificamente pelo Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA), em articulação com a Direção-Geral da Saúde (DGS).
 
Para esta terceira fase do COSI Portugal (2012/2013), foram avaliadas 5.935 crianças com seis, sete e oito anos de idade, de 196 escolas do primeiro ciclo do ensino básico.
 
O grupo etário alvo é considerado chave, pois “precede a puberdade e é fundamental para prever a obesidade na idade adulta”. 
 
De acordo com o relatório do período 2012/2013, a que a agência Lusa teve acesso, a prevalência de baixo peso foi de 2,7% em 2013. Em 2010, esse valor era de 0,8% e de um por cento em 2008. A prevalência de baixo peso foi maior na região dos Açores (13%).
 
Ana Isabel Rito, do Departamento de Alimentação e Nutrição do INSA e uma das autoras do relatório, adverte, em declarações à Lusa, que “estes resultados não podem ser vistos de forma isolada. Preocupa-nos os dois lados desta mesma moeda: uma criança com má nutrição é uma criança que pode apresentar excesso de peso e obesidade ou baixo peso para a idade”, afirmou.
 
De acordo com a nutricionista, “os condicionantes que levam à apresentação desta doença são explicados pelo mesmo fenómeno, a situação socioeconómica das famílias e muitos outros fatores que contribuem para estes resultados”.
 
O COSI Portugal 2013 dá conta de uma diminuição da prevalência de excesso de peso e da obesidade.
 
Apesar desta “evolução positiva”, os autores lembram que Portugal continua a ser um dos países com maior prevalência de excesso de peso e obesidade infantil. O excesso de peso foi mais significativo nas crianças com oito anos, comparando com as de seis e sete anos.
 
Aos sete anos, as raparigas mostraram quase sempre maior prevalência de baixo peso, excesso de peso e obesidade, em comparação com os rapazes.
 
“Preocupa-me o facto de termos uma em cada três crianças com excesso de peso e quase três por cento com baixo peso para a idade”, disse, acrescentando que, “muito provavelmente, estarão relacionadas com as questões socioeconómicas que as famílias têm vindo a passar nos últimos anos”, disse Ana Isabel Rito
 
“Ainda há muito a fazer, principalmente do apoio a estas famílias no sentido delas conhecerem os alimentos mais interessantes – que não são necessariamente os mais caros – para a saúde dos seus filhos. E este é o passo que temos de dar a seguir”, conclui.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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