Crianças com autismo: questionário pode detetar problemas gastrointestinais

Estudo publicado na “Journal of Autism and Developmental Disorders”

25 outubro 2018
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Uma equipa de gastroenterologistas especializados em pediatria elaborou um questionário de 17 perguntas que poderá ser eficaz para identificar crianças autistas com problemas gastrointestinais. 
 
As doenças gastrointestinais são quatro vezes mais frequentes em crianças com autismo, em relação à população em geral. São doenças de difícil deteção neste grupo de crianças; muitas delas não falam e, mesmo as que falam têm dificuldades em indicar o local do desconforto que sentem devido à sua incapacidade de processamento sensorial. 
 
Consequentemente, o desconforto pode causar agressividade, cólera e outros problemas comportamentais. Muitas vezes, os problemas comportamentais expressados por estas crianças são tratados como sendo do foro psicológico quando, na realidade, são causados por desconforto gastrointestinal. 
 
“Os problemas gastrointestinais podem ser dolorosos e incapacitantes e podem exercer efeitos profundos sobre o comportamento de uma criança”, disse Kara Gross Margolis, da Faculdade de Médicos e Cirurgiões Vagelos, da Universidade de Columbia, EUA, e investigadora neste estudo.
 
Para o estudo, a investigadora e equipa contaram com a colaboração de 131 pais de crianças com autismo, aos quais fizeram 35 perguntas destinadas a avaliar sintomas observáveis de três problemas gastrointestinais comuns: prisão de ventre, diarreia e refluxo gástrico (os sintomas podem ser engasgarem-se durante as refeições, aplicarem pressão no abdómen e arquearem as costas). 
 
Seguidamente, a equipa pediu a gastroenterologistas especializados em pediatria que avaliassem as crianças, mas desconhecendo as respostas dos pais. Como resultado, a equipa identificou 17 itens que poderiam melhor ajudar a identificar doenças gastrointestinais nas crianças autistas, com uma eficácia de 84%. 
 
O questionário terá agora de ser validado junto de um grupo independente de crianças antes de poder ser usado, com confiança, por pais e prestadores de cuidados de saúde primários.  
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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