Criança infetada com VIH manteve-se saudável

Estudo da Universidade de Coimbra

26 novembro 2014
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Investigadores de Coimbra descrevem, pela primeira vez, um caso clínico de uma criança que, apesar de estar infetada por VIH, se manteve saudável, anunciou hoje a Universidade daquela cidade.

 

De acordo com um comunicado da Universidade de Coimbra (UC),ao qual a agência lusa teve acesso, os investigadores descreveram “pela primeira vez numa criança, uma variante do vírus da imunodeficiência humana (VIH) associada ao surgimento tardio de SIDA”.
 

O estudo descreve “o caso clínico de uma criança de cinco anos de idade que, apesar de estar infetada por VIH, manteve-se saudável, registando apenas as patologias típicas da idade”, refere o comunicado.
 

As “análises de rotina” a que a criança foi submetida, para ser sujeita a “uma pequena cirurgia”, revelaram “alterações das provas de coagulação e marcadores hepáticos”.
 

Foram ainda identificadas a “ausência de linfócitos CD4+ (glóbulos brancos responsáveis pela defesa do organismo contra infeções) e um grau muito elevado de infeção pelo vírus VIH, apresentando mais de um milhão de vírus por mililitro de sangue (1.073.899 cópias/ml de sangue)”, adianta a UC.
 

“Através de um estudo detalhado do gene do VIH que codifica a proteína Vpr (responsável por regular o nível de virulência), os investigadores descobriram argumentos fortes para impedir o vírus de se manifestar durante tanto tempo”, salienta a mesma nota.
 

“Detetámos a presença de duas mutações, R77Q e Q3R, associadas à proteína Vpr do HIV1, descritas como estando envolvidas no aparecimento tardio dos primeiros sintomas da Síndroma da Imunodeficiência Adquirida (SIDA)”, explicou a coordenadora do estudo, Teresa Gonçalves.
 

A descoberta destas duas mutações é muito relevante para o prognóstico da doença. “Idealmente, a inclusão do estudo destas mutações na rotina clínica permitiria prever a evolução do vírus e evitar, por exemplo, a administração de medicação antirretrovírica numa fase precoce do diagnóstico”, acrescenta Teresa Gonçalves.

 

“Além de proteger o doente, uma vez que os tratamentos podem causar efeitos secundários indesejáveis (e no caso das crianças afetam o normal crescimento)” aquela circunstância também “possibilitaria reduzir custos aos serviços de saúde”, salienta a investigadora.
 

O estudo evidenciou ainda que a criança foi infetada por transmissão vertical, ou seja, a partir da mãe, também ela “assintomática durante a gravidez, no parto ou no período de aleitamento materno”.

 

Este é “um caso clínico excecional porque, embora a criança frequente um infantário, nunca desenvolveu patologias infeciosas oportunistas e nunca foram registadas reações adversas à vacinação efetuada de acordo com o Plano Nacional de Vacinação”, conclui Teresa Gonçalves.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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