Criança com 80% da pele regenerada graças a terapia genética

Estudo publicado na revista “Nature”

13 novembro 2017
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Uma equipa médica conseguiu um feito único no mundo: conseguiu tratar com sucesso um rapaz com danos graves em quase toda a extensão da epiderme devido à doença conhecida como epidermoide bolhosa.
 
A epidermoide bolhosa é uma doença congénita da pele atualmente considerada incurável. É provocada por um defeito nos genes que formam proteínas e que são essenciais para a regeneração da pele. Mesmo um mínimo de stress pode provocar bolhas, feridas e perda de pele, com a formação de cicatrizes. A forma mais grave da doença afeta também os órgãos internos.
 
O Hassan, hoje com sete anos de idade, foi admitido na unidade de cuidados intensivos pediátricos no Katholisches Klinikum Bochum, Alemanha, em junho de 2015, com 60% da epiderme destruída e em risco de vida. Todos os tratamentos convencionais e cirúrgicos tinham falhado.
 
A equipa de médicos da Universidade Ruhr Bochum, Alemanha, e do Centro de Medicina Regeneradora da Universidade de Modena, Itália, trabalharam então, em conjunto, numa abordagem experimental: transplantar pele derivada de células estaminais geneticamente modificadas para a superfície das zonas danificadas.
 
Para o efeito, obtiveram células estaminais do paciente, através de biópsia à pele, as quais foram transferidas para um gene intacto das células recolhidas. Durante este processo foram implantados vetores retrovirais, isto é, partículas de vírus que tinham sido especialmente modificadas para a transferência genética.
 
Foram transplantados 0,94 metros quadrados de epiderme transgénica no pescoço, cabeça, pernas e braços, costas inteiras outras áreas e parte do estômago da criança, o que totalizou 80% da sua superfície corporal.
 
Após o procedimento que teve lugar em outubro de 2015, o rapaz começou a melhorar, com as células estaminais transgénicas a formarem uma nova epiderme com proteínas de ligação intactas em todas as áreas transplantadas. A operação tinha sido um sucesso! 
 
Hoje em dia, passados quase dois anos, a criança tem pele resistente ao stress e com uma camada hidrolipídica intacta, bem como pelo. O Hassan frequenta uma escola normal e participa nos eventos familiares como qualquer criança normal.
 
“Esta abordagem tem um enorme potencial de pesquisa e desenvolvimento de novas terapias para o tratamento da epidermoide bolhosa, assim como de outras doenças e traumatismos que causem grandes problemas de pele”, disse Tobias Hirch, que participou neste estudo. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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