Criado tecido do coração humano que se contraiu espontaneamente

Estudo publicado na “Nature Communications”

20 agosto 2013
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Uma equipa de cientistas criou tecido do coração humano, a partir de células estaminais, que se contraiu espontaneamente numa placa de Petri.

 

Conduzido por cientistas da Faculdade de Medicina da Universidade de Pittsburgh, EUA, este feito significa um avanço no caminho da produção de órgãos para fins de transplante. Segundo a Organização Mundial de Saúde, calcula-se que 17 milhões de pessoas morram anualmente com problemas cardiovasculares, a maioria devido a doenças cardíacas. Adicionalmente, mais de metade dos pacientes com doenças cardíacas não respondem aos tratamentos existentes e os dadores de órgãos para transplante são limitados.

 

Os cientistas utilizaram um coração de rato, ao qual todas as células cardíacas foram retiradas, um processo que dura cerca de 10 horas, e substituídas. As células substitutas, células estaminais pluripotentes induzidas (iPS), foram geradas a partir da pele humana, para criar células precursoras do coração, designadas MCP. As células iPS são células humanas maduras que são “reprogramadas” para ficarem num estado primitivo e versátil, a partir do qual podem ser conduzidas a desenvolverem-se em qualquer tipo de célula do corpo.

 

Segundo Lei Yang, professor assistente de biologia do desenvolvimento “este processo produz as MCP, que são as células precursoras que se podem diferenciar em três tipos de células utilizadas pelo coração, incluindo cardiomiócitos, células endoteliais e células musculares lisas”. “Ninguém tinha tentado antes utilizar estas MCP na regeneração cardíaca. Acontece que a matriz extracelular do coração, o material que constitui o substrato da estrutura do coração, pode enviar sinais de forma a conduzir as MCP para se tornarem em células especializadas necessárias para uma função cardíaca adequada”.

 

As células precursoras do coração geradas foram posteriormente ligadas a uma “armação” (rede constituída por proteínas e hidratos de carbono) do coração de rato. Após algumas semanas de fornecimento de sangue ao órgão reconstruído, não só este tinha sido reconstruído com células humanas, mas também começou a contrair-se a um ritmo de 40 a 50 batimentos por minutos.

 

Os cientistas têm agora de descobrir como fazer o coração bater com força suficiente para bombear o sangue e como reconstruir o sistema de condução elétrica do coração para que o coração acelere e desacelere apropriadamente.

 

No entanto, “está ainda longe a criação de um coração humano completo”, declarou Lei Yang. Mas no futuro poderá ser possível fazer uma simples biópsia à pele de um paciente e obter MCP personalizadas que possam ser utilizadas para implantar uma estrutura biológica e regenerar um órgão de substituição disponível para transplante, aponta o investigador. O modelo poderia ainda ser usado para testar novos fármacos no coração ou para estudar a forma como um coração fetal poderá desenvolver-se.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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