Criado Observatório para as Condições de Vida

Condição dos portugueses vai ser analisada

23 janeiro 2015
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O Observatório para as Condições de Vida (OCV), criado por investigadores de diferentes áreas, tem como objetivo analisar como vivem as populações, numa altura em que um quarto dos portugueses está abaixo do limiar da pobreza.
 

“A ideia é tentar compreender melhor o que se passa com as populações, a forma como vivem, como se encontra a saúde e a sua qualidade de vida”, disse à agência Lusa a investigadora do OCV, Ana Rajado.
 

A investigadora referiu que o projeto inclui investigadores de várias áreas do conhecimento e de diferentes instituições que pretendem estudar as questões relacionadas com o trabalho, saúde, educação, habitação, estado social, segurança social e a dinâmica de populações.
 

Isabel do Carmo, endocrinologista e uma das fundadoras do projeto, referiu que, “antes de tudo, é necessário considerar que a saúde não depende só dos cuidados de saúde”.
 

“Depende das condições em que as pessoas vivem e a verdade é que nos últimos três anos, vai para quatro, as condições de saúde das populações têm-se degradado”, acrescentou.
 

A “prova disso” é o facto de um quarto da população viver abaixo do limiar da pobreza, uma situação que levou à degradação das “condições de habitação, de alimentação e também, infelizmente, de acesso aos cuidados de saúde”.
 

A especialista explicou que o observatório pretende “aplicar uma análise científica à situação atual” da população, dando resposta às hipóteses que se vão colocando nas várias áreas.
 

“Eu posso pôr a hipótese que, neste momento, já há pessoas com insuficiência de calorias e com carências a nível de vitaminas e sais minerais, mas tenho de a provar” do ponto de vista científico, explicou.
 

Também “há hipóteses muito fortes de deterioração das condições de vida e de trabalho das pessoas, mas é preciso fazer investigação sobre isso”, acrescentou.
 

Contudo “há situações que já são objetivas”, como o aumento dos casos de pneumonia nos últimos três anos, constatado através de dados e que a própria Sociedade Portuguesa de Pneumologia já apontou como provável causa para esse aumento as condições em que as pessoas vivem.

 

“É perfeitamente lógico, porque as pessoas vivendo em piores condições estão mais fragilizadas em relação às infeções”, disse a endocrinologista, apontando ainda a situação nas urgências hospitalares.
 

Ana Rajado conclui que um dos objetivos do observatório é criar um indicador de bem-estar para “tentar compreender qual é o mínimo necessário para as pessoas viverem com alguma qualidade e, sobretudo, com saúde”.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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