Criado modelo computacional que poderá ter implicações no tratamento do cancro

Estudo publicado na “PLoS Computational Biology”

12 agosto 2015
  |  Partilhar:
Um estudo levado a cabo por uma equipa internacional de investigadores e liderada pela Universidade de Coimbra (UC) desenvolveu um modelo computacional que descreve o crescimento de novos vasos sanguíneos e que terá “importantes implicações para novos tratamentos”, designadamente do cancro, revela uma notícia da agência Lusa.
 
Numa nota emitida pela UC e à qual a Lusa teve acesso, esta investigação, liderada por Rui Travasso, do Departamento de Física da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC, simulou o crescimento de vasos sanguíneos que ocorre durante o desenvolvimento de um tumor, permitindo esclarecer como “a proliferação das células dos vasos sanguíneos é regulada durante o crescimento vascular”.
 
“Este modelo computacional demonstrou, pela primeira vez, como a proliferação das células que compõem os vasos sanguíneos depende da tensão mecânica a que está sujeito o novo vaso durante o seu crescimento”, sublinha Rui Travasso.
 
Segundo o investigador, “o desenvolvimento de vários tumores e de diversas patologias como a retinopatia diabética alicerça-se num rápido crescimento da vasculatura sanguínea” e, como tal, “entender em detalhe como os vasos sanguíneos crescem é essencial para controlar o crescimento tumoral”.
 
No caso do cancro, “estes novos vasos são os responsáveis por levar ao tumor os nutrientes necessários à sua rápida proliferação”.
 
Apesar de várias terapias terem sido desenvolvidas e com bons resultados para diminuir a vasculatura à volta das lesões tumorais, elas são “bastante onerosas, sendo, por isso, importante desenvolver novas estratégias para controlar a vascularização e a chegada de nutrientes ao tumor”, explica o especialista.
 
O conhecimento dos membros da equipa sobre a biologia e a física do sistema foi essencial no desenvolvimento desta pesquisa, afirma a UC, destacando que “este novo modelo computacional integra não só os sinais biológicos presentes no desenvolvimento de vascularização patológica, mas também a rigidez do tecido onde os vasos crescem e as forças exercidas pelas diferentes células do sistema”.
 
Só assim, “foi possível verificar qual o papel da rigidez do tecido e das tensões mecânicas no desenvolvimento da vasculatura”, salienta Rui Travasso.
 
Este trabalho, que foi financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), tem, “como consequência, a possibilidade de se utilizarem alterações nas propriedades físicas dos tecidos para dificultar o crescimento dos vasos num tumor”, acrescenta o investigador.
 
Estas simulações computacionais “foram possíveis graças ao investimento realizado na maior unidade de supercomputação do país, que está sediada na UC”, conclui Rui Travasso.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.