Criado ‘transporte’ de quimioterapia ativado nas células cancerígenas

Estudo publicado na revista “Nature Communications”

26 maio 2017
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Uma equipa internacional de cientistas criou um “transporte” de quimioterapia que chega ao local de produção das células estaminais cancerígenas, aumentando o impacto do tratamento e sem efeitos secundários noutros locais, anunciou a agência Lusa.
 
O estudo conduzido por um grupo de investigadores de quatro países, liderado por Lino Ferreira e Ricardo Neves, do Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC) da Universidade de Coimbra (UC), criou “um “transporte” de quimioterapia que chega ao local onde se produzem as células estaminais cancerígenas (CEC) e que atua através de controlo remoto”, afirmou a UC numa nota.
 
“As nanopartículas que transportam a quimioterapia permanecem inativas até serem ativadas na chegada ao “nicho leucémico”, local da medula óssea onde se encontram as CEC que dão origem a todas as células da leucemia”.
 
A ativação realiza-se por controlo remoto, através da projeção de luz azul sobre as nanopartículas que transportam a quimioterapia. A investigação descreve “uma formulação de nanopartículas aplicada em ratinhos com leucemia que se foca no papel do “nicho leucémico” na progressão da doença” e na resistência à quimioterapia.
 
“O nicho é altamente protetivo das células estaminais leucémicas que aí se encontram, tornando difícil a sua erradicação através da quimioterapia convencional”, acrescenta a UC, referindo que “a proteção descrita é, muitas vezes, responsável pelo regresso da doença após tratamento”.
 
Lino Ferreira e Ricardo Neves provaram que é possível utilizar células leucémicas como agentes de transporte de quimioterapia. “Estas células conseguem encontrar o nicho leucémico, utilizando o seu sistema de “GPS natural” e, dessa forma, criam a oportunidade de colocar a nanopartícula, cheia de quimioterapia, junto do reservatório de células responsáveis pelo perpetuar da doença”.
 
Segundo o investigador, “torna-se possível despoletar a libertação da quimioterapia, por ação da luz, e ter maior impacto no local e consequentemente na doença, evitando também os efeitos secundários noutros locais”.
 
A descoberta poderá ter “aplicações práticas no tratamento do cancro e em outras áreas, sendo que no contexto da leucemia pode ajudar a erradicar as células do nicho da medula óssea doente”, sublinha o especialista.
 
A tecnologia do estudo poderá também ser utilizada para “ajudar as células transplantadas a reconhecer a medula óssea do paciente como a sua “nova casa” e aí permanecerem, contribuindo para a produção constante de sangue durante o resto da sua vida”.
 
As células transplantadas levam consigo as nanopartículas desenvolvidas neste trabalho do CNC, fazendo o seu percurso normal no organismo, sendo ativadas quando chegam à medula óssea do paciente porque recebem um estímulo luminoso que lhes sinaliza o final da viagem.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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