Criada papoila sem morfina

Planta dá origem a novos analgésicos

23 novembro 2004
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Cientistas australianos descobriram como funciona o mecanismo de uma espécie de papoila que impede a produção da morfina. A descoberta pode levar ao desenvolvimento de drogas mais eficazes. A papoila é a fonte da codeína, da morfina e de outros analgésicos, além do ópio e da heroína. Mas uma espécie mutante conhecida como Top 1 não produz nem morfina nem codeína. Num trabalho publicado na revista Nature, investigadores da Organização da Comunidade da Pesquisa Científica e Industrial (CSIRO) da Austrália descrevem como a planta produz precursores desses narcóticos, que foram transformados em novos analgésicos sintéticos. «Estamos a usar o conhecimento para produzir outras alterações nas papoilas para servir melhor as necessidades farmacêuticas humanas», disse Philip Larkin, da CSIRO. A nova variação, segundo os cientistas, pode produzir, em grandes quantidades, outras substâncias, nomeadamente a tebaína e a oripavina (em vez da morfina e da codeína). Esses dois alcalóides são pontos de partida importantes para a produção de uma nova geração de analgésicos poderosos. Os alcalóides são compostos orgânicos retirados de plantas e usados como fármacos. Os medicamentos produzidos com a planta incluem a buprenorfina e a oxicodona, que são mais seguros e mais bem tolerados que a morfina e a codeína.  «A buprenorfina e outros derivados da tebaína e da oripavina como a naltrexona estão a mostrar-se muito importantes no tratamento da dependência dos opiáceos», acrescentou Larkin. A papoila que não produz morfina foi descoberta em 1995, na Tasmânia, estado australiano onde é feito 40 por cento do cultivo legal de opiáceos do mundo. A primeira colheita comercial desse tipo de papoila data de 1997, e hoje ela é responsável por cerca de 40 por cento da cultura de papoila da Tasmânia. Larkin e sua equipa estudaram a configuração genética da planta mutante e identificaram as diferenças em relação à papoila comum. E descobriram que a planta que sofreu a mutação bloqueia o processo bioquímico _ que normalmente levaria à produção da morfina e da codeína_, o que leva à acumulação de tebaína e oripavina. Também descobriram o mecanismo que bloqueia o processo bioquímico que produz morfina e codeína. «Esse é um bom exemplo da genética agrícola trabalhando em conjunto com o planeamento de drogas, que culminam com novos medicamentos, mas também com o desenvolvimento de novas plantas para fazer a parte mais difícil da química», disse Larkin.«Os farmacêuticos com base em plantas são muito importantes, e vez mais a genética cada vai permitir que desenvolvamos plantas para produzir de modo sustentável e com eficiência fármacos de nova geração», afirmou o investigador. Traduzido e adaptado por:Paula Pedro MartinsJornalistaMNI-Médicos Na Internet

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