Criação de espaços para consumo de medicamentos à base de morfina

Conferência “Políticas de Droga e Saúde”

01 abril 2014
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As associações ligadas à droga e à saúde vão propor a criação de espaços para consumo e uso de medicamentos à base de morfina para tratar dependências, de forma de prevenir infeções, em contexto de crise económica e social.
 

A Assembleia da República acolhe hoje a Conferência “Políticas de Droga e Saúde” promovida pelo Grupo Português de Ativistas sobre Tratamentos de VIH/SIDA (GAT), a Agência Piaget para o Desenvolvimento (APDES) e associação Consumidores Associados Sobrevivem Organizados (CASO). Na conferência vão ser debatidas  políticas em matérias de drogas que envolvem a sociedade civil, as instituições nacionais e internacionais, especialistas e os decisores políticos.
 

De acordo com Luís Mendão, do GAT, a conferência surge num contexto de crise económica e social, que afeta sobretudo os setores da população mais vulneráveis, incluindo os utilizadores de drogas. “Há registos consistentes de que pode aumentar o consumo de drogas, o consumo problemático de drogas e os riscos inerentes. Há muitos relatórios de surtos de doenças infeciosas entre utilizadores de drogas e seus parceiros”, disse à agência Lusa.
 

Estas associações consideram fundamental conhecer a situação portuguesa, porque há “atrasos importantes nas notificações” o que pode conduzir a que se detete “um problema quando já é difícil compensar”.
 

“Por isso decidimos trazer organizações internacionais responsáveis pelo aconselhamento dos Estados e Governos nacionais sobre o problema do consumo, para perceber qual o melhor conhecimento possível para tratar dependências e doenças associadas a pessoas com dependências”, acrescentou.
 

Na conferência vão também ser apresentadas algumas propostas que as associações pensam ser necessárias para “prevenir custos insuportáveis no futuro”. Uma das propostas é no sentido de se fazer um “verdadeiro reconhecimento da situação: é preciso perceber se há tendências no aumento de uso de drogas injetáveis, ou recaídas”.

 

“Mas precisamos de o saber mais rapidamente, através da monitorização epidemiológica rápida, para perceber os riscos que estão a acontecer”, sublinhou, acrescentando que para isto é fundamental a coordenação entre o SICAD, as ARS e a DGS, com especialistas universitários. Com base nestes resultados, deverão ser identificadas as necessidades e as respostas possíveis.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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