Corrigir proteínas pode curar doenças graves

Alguns medicamentos já disponíveis no mercado podem corrigir malformações proteicas

31 janeiro 2003
  |  Partilhar:

Cientistas norte-americanos sugeriram a possibilidade de desenvolver um tratamento para curar doenças graves corrigindo proteínas que por razões desconhecidas perderam a sua forma original e saudável.
 

 

Num artigo publicado na revista Science, investigadores do Instituto Skaggs de Química e Biologia da Califórnia assinalam que existem medicamentos, como alguns já disponíveis no mercado para tratar a artrite, que podem corrigir malformações proteicas.
 

 

As proteínas são as unidades biológicas básicas e, segundo a investigação, a sua deformação é um factor importante em certas doenças de natureza neurológica, como a doença de Alzheimer ou a de Creutzfeldt-Jakob, a versão humana da encefalopatia espongiforme bovina ou doenças das vacas loucas.
 

 

«Demonstrámos que se podem utilizar pequenas moléculas para estabilizar a forma natural da proteína», disse Jefferey Kelly, professor de química e coordenador do estudo.
 

O cientista explicou que o grupo analisou certos tipos de compostos e determinou que seis deles podiam exercer uma função reconstituinte da proteína.
 

 

Diflunisal
 

 

Um desses compostos é o medicamento genérico conhecido por «diflunisal», receitado como anti-inflamatório no tratamento da artrite.
 

 

Acrescentou que o objectivo do grupo é encontrar ou desenvolver uma molécula que se dirija às proteínas implicadas na doença e as recomponha na sua forma original e saudável.
 

 

Os investigadores centraram os seus trabalhos num tipo de transtorno conhecido por doenças amilóides, causadas pela malformação da proteína transtiretina, segregada pelo fígado.
 

 

Analisaram ainda a cardiomiopatia amilóide, na qual as proteínas se retorcem e formam fibrilações que alteram o funcionamento do coração.
 

 

Segundo Kelly, o processo é semelhante ao ocorrido no caso da doença de Alzheimer e na doença Creutzfeldt-Jakob, pelo que o método também poderá dar bons resultados nesses casos.
 

 

A ideia é extrair as proteínas amilóides a pessoas sãs e submetê-las aos factores que causam a sua deformação.
 

Se com a administração de «diflusanil» essas proteínas resistissem à deformação demonstrar-se-ia que o medicamento pode proteger contra esse tipo de doenças, afirmaram os cientistas.
 

 

Fonte: Lusa
 

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.