Correspondentes de guerra têm mais problemas psicológicos

Síndroma pós-traumático atinge jornalistas

07 abril 2003
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A vida dos correspondentes de guerra, que mudam de lugar várias vezes por ano, saltitando pelas áreas de conflito mundiais, pode afectar mentalmente os repórteres.
 

 

Em comparação com os jornalistas que não trabalham em conflitos armados, os correspondentes de guerra apresentam uma tendência maior a beber mais, bem como sofrer de depressão e de um distúrbio particular, denominado stress pós-traumático. Apesar de serem mais susceptíveis a esses problemas, os repórteres de guerra não são mais propensos a receber tratamento.
 

 

Os danos físicos provocados pelo trabalho em conflitos internacionais são mais que evidentes e conhecidos da opinião pública, mas, em relação aos efeitos psicológicos da guerra, parece haver «uma falta de reconhecimento entre os profissionais da imprensa sobre a própria vulnerabilidade», alertou Anthony Feinstein, da Universidade de Toronto, Canadá, e autor do estudo.
 

 

Embora a maioria dos correspondentes de guerra pareça capaz de desempenhar as suas funções sem sofrer efeitos psicológicos nefastos, os resultados do estudo deveriam servir como um alerta às organizações de imprensa sobre a necessidade de oferecer ajuda aos repórteres que precisarem, explicou Feinstein.
 

 

Em 2001, cerca de 100 jornalistas foram assassinados e centenas foram presos ou sofreram ameaças. A maioria dos mortos eram repórteres locais que expuseram casos de corrupção ou dissidentes políticos. O caso de Daniel Pearl, repórter do Wall Street Journal sequestrado e assassinado no Paquistão no início deste ano, ressaltou os perigos enfrentados pelos jornalistas que trabalham em áreas de guerra ou de conflito.
 

 

170 correspondentes
 

 

Para obter informações sobre como o trabalho na guerra afecta os jornalistas, a equipa de Feinstein enviou questionários a 170 correspondentes de guerra de língua inglesa. O grupo incluiu «freelancers» e correspondentes da CNN, BBC, Reuters, CBC, AP e da ITN.
 

 

Um dos jornalistas foi assassinado antes de receber o questionário, talvez um reflexo dos perigos enfrentados no trabalho em zonas de guerra. No total, 140 repórteres com uma média de 15 anos de exercício profissional em guerras responderam ao questionário. Numa segunda etapa, os cientistas seleccionaram aleatoriamente um em cada cinco jornalistas para uma entrevista.
 

 

Para diferenciar os efeitos mentais da cobertura de guerra dos efeitos do jornalismo quotidiano, os investigadores também incluíram no estudo 107 jornalistas que não trabalhavam na área e entrevistaram 19 deles.
 

 

A depressão e o síndroma de stress pós-traumático foram mais comuns entre os correspondentes de guerra. Os especialistas constataram que os repórteres que cobriram guerras, principalmente as mulheres, mostraram tendência maior para consumir álcool em excesso.
 

 

No entanto, os correspondentes de guerra não foram mais propensos a receber tratamento, psicoterapia ou medicação, segundo artigo publicado na no American Journal of Psychiatry.
 

 

O estudo revelou ainda que os correspondentes de guerra são mais propensos a problemas psicológicos, mas, «na maioria das vezes, a maior parte deles enfrenta bem a situação».
 

 

O autor do estudo acredita que as pessoas designadas para cobrir guerras tenham grande capacidade de recuperação e que a maioria consiga suportar os desafios físicos e psicológicos enfrentados diariamente.
 

 

Para o investigador, o importante nesse estudo é que alguns jornalistas de guerra não enfrentam bem essas situações. Os desafios para as novas empresas de comunicação é tornar o apoio psicológico disponível para quem necessita, disse Feinstein.
 

 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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