Corpo em forma de maçã e o risco de distúrbios alimentares

Estudo publicado no “American Journal of Clinical Nutrition”

17 novembro 2015
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As mulheres com corpo em forma de maçã, que armazenam mais gordura em torno do tronco e região abdominal, têm um risco aumentado de desenvolverem episódios alimentares durante os quais têm uma sensação de perda de controlo, dá conta um estudo publicado no “American Journal of Clinical Nutrition”.
 
"Os nossos resultados preliminares revelam que a distribuição da gordura centralizada pode ser um importante fator de risco para o desenvolvimento do distúrbio alimentar, especificamente associado à perda do controlo da ingestão de alimentos” revelou, em comunicado de impressa, a líder do estudo, Laura Berner.
 
Na opinião dos investigadores da Universidade de Drexelm nos EUA, há cada vez mais evidências que sugerem que a sensação de perda de controlo durante a ingestão de alimentos, sentimento impulsionado ou compelido a continuar comer ou dificuldade de parar após se ter começado, é o elemento mais significativo dos episódios de compulsão alimentar tendo em conta a quantidade de comida ingerida.
 
“Esta sensação de perda de controlo está presente em vários distúrbios alimentares: bulimia nervosa, distúrbio de compulsão alimentar e a compulsão alimentar / anorexia nervosa do subtipo purgativo", explicou Laura Berner.
 
Assim neste estudo, os investigadores decidiram averiguar se havia alguma característica biológica mensurável capaz de ajudar a prever este sentimento tendo para tal investigado se a distribuição da gordura corporal estava à insatisfação com o corpo ao longo do tempo e aumento do risco do desenvolvimento ou agravamento da perda de controlo alimentar.
 
Para o estudo, cerca de 300 mulheres adultas jovens completaram avaliações no início do estudo, aos seis e aos 24 meses, e foram analisados a altura, peso e percentagem de gordura corporal total e onde estava distribuída. 
 
As participantes, nenhuma das quais preenchia os critérios diagnóstico de distúrbio alimentar no início do estudo, foram avaliadas para comportamentos de distúrbios alimentares, através de entrevistas clínicas padronizadas nas quais foram auto-relatadas experiências de sensação de perda de controlo.
 
Os investigadores constataram que as mulheres com uma maior gordura abdominal, independentemente da massa corporal total e níveis de depressão, eram mais suscetíveis de desenvolver perda de controlo alimentar e demonstraram um aumento estável na frequência com que estes episódios ocorriam ao longo do tempo. As mulheres com uma maior percentagem de gordura corporal armazenada na região do tronco também se sentiam mais insatisfeitas com seu corpo, independentemente do peso ou nível de depressão.
 
Os resultados indicam que o armazenamento da gordura corporal no tronco e abdómen é um forte indicador do desenvolvimento da perda de controlo alimentar e do seu agravamento ao longo do tempo. Adicionalmente as grandes percentagens de gordura armazenada nestas regiões centrais e a insatisfação com o corpo podem manter ou exacerbar a perda de controlo.
 
Na opinião da investigadora esta distribuição de gordura pode alterar as mensagens de fome e saciedade enviadas ao cérebro e fazer com que as pessoas percam o controlo enquanto se alimentam.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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