Coronavirus em Taiwan é diferente

Pneumonia atípica com investigação dificultada

06 maio 2003
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Cientistas de Taiwan, onde na terça-feira foi confirmada mais uma morte por pneumonia atípica, relevaram que o coronavirus que afecta a ilha é geneticamente diferente daquele que existe em Hong Kong, o que poderá dificultar a investigação.
 

 

A última vítima é um funcionário do Departamento de Transportes, que morreu segunda-feira no Hospital da Universidade Nacional de Taiwan, onde permanecia internado desde a passada sexta- feira.
 

 

No total, na antiga Formosa, onze pessoas já morreram e 116 foram infectadas com a Síndroma Respiratória Aguda (SRA). Taiwan é o quarto território mais afectado da região, depois da China, Hong Kong e Singapura.
 

 

A situação em Taiwan descontrolou-se há apenas dez dias, quando o número de casos disparou e começaram a ocorrer as primeiras mortes. Segundo cientistas taiwaneses, o coronavirus que se propaga na ilha é diferente do que actua em Hong Kong, um dos locais mais afectados da região, noticia hoje a imprensa local.
 

 

O director do Departamento de Medicina Interna do Hospital da Universidade Nacional, Yang Pan-chih, indicou que, depois de terem sido mapeados os genomas dos dois vírus, foi descoberto que eram de dois tipos diferentes, com entre três a doze genomas distintos, e que não coincidiam com os determinados por cientistas de Hong Kong.
 

 

Apesar de ser necessário fazer mais testes, isso poderá explicar as diferentes taxas de mortalidade nos dois locais: enquanto em Taiwan existem onze mortos e 120 infectados, na antiga colónia britânica há mais de 1.600 pessoas contagiadas, das quais 187 já morreram.
 

 

De quarentena
 

 

As autoridades de Taiwan puseram em quarentena mais de 10 mil pessoas e estabeleceram multas de entre dois mil a 10 mil dólares (aproximadamente o mesmo valor em euros) para aqueles que não a respeitarem.
 

 

No entanto, e até ao momento, a resposta civil não foi muito animadora, uma vez que 42 por cento dos cidadãos que foram avisados desta medida ainda não entraram em contacto com as autoridades locais.
 

 

Entre os isolados encontram-se duas enfermeiras grávidas, de quase nove e seis meses de gestação, respectivamente.
 

No entanto, em Singapura, o Ministério da Saúde anunciou, na noite de segunda-feira, a morte de um jovem de 27 anos por causa da SRA, o que eleva a 26 o número de mortos nesta cidade-estado.
 

 

Além disso, depois de vários dias sem se registarem novos contágios, as autoridades confirmaram o aparecimento de um novo caso: uma mulher de 74 anos que tinha partilhado uma casa com um doente a quem posteriormente foi diagnosticada pneumonia atípica.
 

 

Singapura, Filipinas e Hong-Kong
 

 

No total, em Singapura, registaram-se 204 casos, dos quais cerca de três dezenas estão ainda hospitalizados, treze deles em estado grave.
 

 

Nas Filipinas, o número de casos prováveis de pneumonia atípica ascende a uma dezena, depois do Departamento de Saúde ter anunciado o surgimento de sete novos infectados.
 

Quatro dos novos contágios aconteceram entre pessoal sanitário, enquanto que os outros três são familiares dos dois únicos mortos, até ao momento, no país pela doença.
 

 

A pneumonia atípica, que se acredita ter tido origem no sul da China, estendeu-se a quase trinta países. Já matou pelo menos 461 pessoas e contagiou mais de 6.700 em todo o mundo.
 

Vários laboratórios trabalham já na obtenção de uma vacina para esta grave doença, como os da empresa suíça Berna Biotech, que anunciou hoje o começo das investigações para criar um medicamento eficaz.
 

 

Apesar da Organização Mundial de Saúde (OMS) ter alertado para o tempo que poderá demorar até que se encontre um medicamento eficaz, várias companhias biotecnológicas e farmacêuticas iniciaram uma batalha para obter os direitos de patente sobre os futuros testes de diagnóstico, os medicamentos e as vacinas para curar a doença.
 

 

Fonte: Lusa
 

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