Estudo publicado no New England Journal of Medicine
Médicos italianos deram nota de terem aplicado com sucesso uma técnica para reparar o dano ocular causado por queimaduras, através da utilização de tecido córneo cultivado. O estudo foi publicado no “New England Journal of Medicine”.
Normalmente a córnea faz o seu processo de auto-recuperação usando as células do limbo (zona anatómica circunferencial entre a córnea e a esclerótica). Contudo, em alguns pacientes queimados, o limbo fica destruído e, nesse caso, a córnea (que é transparente) desenvolve-se a partir de células que cobrem a parte branca do olho, conhecida como conjuntiva bulbar (a fina membrana mucosa que cobre a maior parte do exterior do globo ocular). Nestes casos, o transplante convencional de córnea só proporciona alívio temporário, devido ao facto de as células que causaram a visão turva voltarem a prevalecer.
Neste trabalho, a equipa do Centro de Medicina Regenerativa Stefano Ferrari, em Modena, Itália, extraiu células estaminais do limbo do olho saudável do paciente, cultivou-as e enxertou-as no olho (apenas um milímetro quadrado de tecido do limbo) para que criassem uma córnea regenerada e transparente.
Em comunicado de imprensa, Graziella Pellegrini, membro da equipa de investigadores, garantiu que, através deste método, é possível manter resultados estáveis durante 10 anos.
O tratamento funcionou em 77% dos 112 voluntários, contudo, alguns tiveram de ser submetidos a um segundo enxerto. Quase todos os pacientes tinham perdido a visão por queimaduras químicas ou de fogo, incluindo o caso de um homem de 80 anos que tinha sofrido um dano ocular severo aos 8 anos.
A técnica foi realizada pela primeira vez em 1995 e, até agora, já foi aplicada em 252 pacientes.
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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