Coração envelhece de forma distinta entre homens e mulheres

Estudo publicado na “Radiology”

29 outubro 2015
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O coração de homens e mulheres envelhece de forma distinta, revela um estudo levado a cabo por cientistas norte-americanos e divulgado na publicação científica “Radiology”.
 
“Os nossos resultados demonstram de forma clara que a doença cardíaca pode ter diferentes patofisiologias em homens e mulheres e a necessidade de tratamentos distintos que tenham em conta estas importantes diferenças biológicas”, revela, em comunicado de imprensa, João Lima, professor na Universidade Johns Hopkins e autor sénior do estudo.
 
Apesar de estudos anteriores se terem já debruçado sobre as alterações do coração ao longo do tempo, este é considerado pelos autores como o primeiro de longo termo a usar ressonância magnética (RM), o que permitiu obter imagens com mais detalhes e informação mais fidedigna sobre a estrutura e função cardíaca.
 
Para a investigação os cientistas analisaram RM de três mil adultos com idades compreendidas entre os 54 e 94 anos e sem qualquer condição cardíaca pré-existente. Os participantes foram acompanhados entre 2002 e 2012 em seis hospitais estadunidenses, onde cada um realizou uma RM no início do estudo e novamente passado uma década.
 
As RM permitiram obter imagens a três dimensões tanto do interior como do exterior do coração, o que possibilitou determinar o tamanho e volume do músculo cardíaco. Esta informação, juntamente com a densidade já conhecida do músculo, permitiu aos cientistas calcular o peso do coração.
 
Os investigadores descobriram que ao longo de um período de dez anos a principal câmara de bombeamento do coração – o ventrículo esquerdo – aumentou em média 8 gramas nos homens e diminuiu 1,6 gramas nas mulheres. A capacidade de enchimento do coração (ou seja, a quantidade de sangue no ventrículo esquerdo entre batimentos cardíacos) decresceu em ambos os sexos, com particular incidência nas mulheres, em cerca de 13 mililitros, enquanto nos homens foi em cerca de 10 mililitros. As diferenças em tamanho, volume e capacidade de bombeamento ocorreram de forma independente em relação a outros fatores de risco, como peso corporal, pressão sanguínea, níveis de colesterol, níveis de exercício físico e hábitos tabágicos.
 
Em ambos os sexos, o ventrículo esquerdo diminuiu de tamanho ao longo do tempo. Tal resulta em menor quantidade de entrada de sangue no coração e consequente menor quantidade de sangue bombeado para o resto do corpo. O estudo revelou ainda que o músculo cardíaco que se encontra a toda a volta do ventrículo aumentou de tamanho e espessura com a idade, no caso dos homens. Por outro lado, no caso das mulheres, o mesmo músculo manteve o seu tamanho ou diminuiu.
 
“Um miocárdio mais espesso e um volume ventricular mais reduzido comportam ambos riscos aumentados de insuficiência cardíaca relacionada com a idade, mas as variações que observámos de acordo com o sexo significa que homens e mulheres podem desenvolver a doença por motivos diferentes”, adiantou João Martins. Este achado significa que homens e mulheres poderão não recolher os mesmos benefícios dos tratamentos normalmente prescritos para a redução do risco de insuficiência cardíaca e que têm como objetivo reduzir a espessura do músculo cardíaco e aumentar o desempenho cardíaco.
 
Os cientistas alertam para o facto de este estudo não ter tido como objetivo perceber o que conduz às alterações fisiológicas no coração entre sexos, mas adiantam que esta “discrepância fascinante” exigirá investigação mais aprofundada para ser entendida.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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