Coração é capaz de recuperar após danos massivos

Estudo publicado na revista "Circulation Research"

15 dezembro 2015
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O coração humano é capaz de recuperar completamente após um enfarte agudo do miocárdio massivo, dá conta um estudo publicado na revista "Circulation Research".
 

Os investigadores da Universidade Médica de Innsbruck, na Áustria, ficaram bastante surpresos ao terem verificado que um recém-nascido que sofreu um enfarte agudo do miocárdio massivo nas primeiras horas de vida, causado por um bloqueio num vaso coronário vital, recuperou muito rapidamente.
 

“Um mês e meio após esta doença grave, demos alta à criança. O coração está a funcionar normalmente. Esta observação prova, pela primeira vez, que o coração pode recuperar completamente após ter sofrido danos massivos. Esta descoberta tem um potencial enorme, uma vez que as doenças cardiovasculares estão entre as causas mais frequentes de morte em todo o mundo”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Jörg-Ingolf Stein.
 

De acordo com a Organização Mundial de saúde, todos os anos morrem em todo o mundo 17 milhões de pessoas devido a doenças cardiovasculares, só na Europa estas doenças provocam 2 milhões de mortes. Apesar dos cuidados médicos para pacientes cardíacos terem melhorado bastante e a taxa de letalidade ter diminuído, a maioria dos pacientes ainda enfrenta danos permanentes que conduzem à insuficiência cardíaca crónica.
 

Durante um enfarte agudo do miocárdio, as células do músculo cardíaco morrem e são substituídas por tecido cicatricial. Contudo, o tecido cicatricial não é capaz de bombear, o que conduz a limitações na função cardíaca e a um enfraquecimento do músculo cardíaco. Apesar da existência de abordagens inovadoras, como a terapia com células estaminais, as células do músculo cardíaco afetadas não podem ser regeneradas de forma eficaz.
 

Contudo, os investigadores já sabiam, através de experiências realizadas em animais, que a regeneração do coração ao longo da vida é possível.
 

Os investigadores foram os primeiros a descrever uma regeneração cardíaca completa após um enfarte agudo do miocárdio em ratinhos. Contudo, esta regeneração só ocorria se o animal tivesse no máximo uma semana de vida.
 

“Para traduzir estes achados em modelos animais para futuras terapias em humanos, ainda havia dois pontos-chave a descobrir: quais os mecanismos e se a regeneração cardíaca ocorria na verdade nos humanos. Esta última questão foi agora respondida”, revelou, em comunicado de imprensa, um outro autor do estudo, Bernhard Haubner.
 

“O sonho de qualquer cardiologista é ser capaz de restaurar por completo um coração danificado, e agora observamos que, em princípio, isto ocorre nos humanos. Se formos capazes de descobrir os mecanismos chave que controlam a reparação cardíaca nos ratinhos e noutros organismos, talvez sejamos capazes de, no futuro, reparar danos no músculo cardíaco nos humanos”, concluiu o diretor do Instituto de Biotecnologia Molecular, Josef Penninger.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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