Coração destroçado

Casamento infeliz provoca aumento no tamanho do órgão

04 junho 2002
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A infelicidade de um relacionamento pode arruinar toda uma vida. E, mais do que isso, pode até aumentar o tamanho de certos órgãos. Segundo um estudo recente, o facto de uma pessoa estar feliz ou infeliz no casamento pode afectar o tamanho do coração, mas não pelas razões românticas.
 

 

Um grupo de investigadores canadense descobriu que as pessoas casadas e infelizes, com tendência para tensão alta (hipertensão), correm um risco maior em apresentar um aumento na espessura das paredes da câmara cardíaca após três anos de relação conflituosa, em comparação com aquelas que se dizem contentes com o casamento.
 

 

Ao longo do tempo, a pressão sanguínea alta ( hipertensão) pode engrossar a parede da maior câmara cardíaca de bombeamento de sangue - o ventrículo esquerdo. Isso pode prejudicar a capacidade de contracção da câmara, um problema que pode levar à insuficiência cardíaca.
 

 

«Assumimos que (o aumento do tamanho da câmara cardíaca) ocorre devido à elevação da pressão sanguínea», afirmou recentemente às agências de informação internacionais o principal autor do estudo, Brian Baker, da Universidade de Toronto, Canadá, durante o 17 Encontro Científico Anual da Sociedade Americana de Hipertensão.
 

 

Três anos depois...
 

 

Para avaliar como o stress afecta a saúde cardiovascular, a equipa mediu a tensão arterial de 103 homens e mulheres durante um período de 24 horas. Três anos, os investigadores voltaram a efectuar o mesmo teste. Nesses dois períodos, os participantes também preencheram questionários sobre a qualidade do trabalho e casamento. E 72 foram submetidos a um ecocardiograma para examinar as alterações no ventrículo esquerdo.
 

 

Todos os participantes estavam casados no início e final da investigação. Os cientistas verificaram então que os indivíduos com casamentos relativamente felizes tiveram uma redução na espessura cardíaca ao longo do tempo, com uma diminuição de oito por cento da massa do ventrículo esquerdo. Por outro lado, as pessoas com casamentos «falidos» apresentaram um aumento de seis por cento na massa do ventrículo esquerdo.
 

 

Mais tempo juntos
 

 

Para Baker, o impacto da qualidade do casamento está relacionado à quantidade de tempo partilhada com o companheiro. Durante o período de 24 horas, os participantes com casamentos infelizes apresentaram leituras de tensão mais elevadas quando as medidas foram feitas na presença do companheiro, e menores quando este estava ausente. Já as pessoas com casamentos felizes apresentaram uma tendência oposta, ou seja, tiveram redução da tensão na presença do companheiro.
 

 

Segundo o líder do estudo, embora os casamentos tenham permanecido estáveis ao longo do estudo, a equipa descobriu que metade dos participantes teve mudanças no trabalho e mais de um quarto deixou o emprego antigo. Por isso, os resultados do efeito do stress no trabalho sobre a tensão arterial são «inconclusivos». Esta pergunta, segundo apontou Baker, deve ser feita em futuros estudos.
 

 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

 

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