Coração artificial implantado a bebé de três meses e meio

Intervenção nunca tinha sido realizada em Portugal ou internacionalmente

19 agosto 2013
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Um bebé de três meses e meio foi submetido ao implante de um coração artificial, uma intervenção que nunca tinha sido realizada em Portugal ou internacionalmente.

 

Conduzida no Hospital de Santa Marta em Lisboa, no dia 13 de agosto de 2013, a operação durou quase cinco horas e foi efetuada a uma menina de três meses e meio e com quatro quilos de peso, que sofre de uma miocardite. O coração do bebé não vai recuperar, sendo necessário o transplante. O coração artificial tem dois ventrículos e vai permitir ao bebé aguardar até que seja encontrado um coração compatível para transplante mantendo, entretanto, uma melhor qualidade de vida.

 

Em Portugal já tinham sido realizadas intervenções semelhantes em crianças, mas nunca em bebés tão pequenos.

 

José Fragata, médico responsável da cirurgia cardiotorácica do Centro Hospitalar de Lisboa Central do Hospital de Santa Marta, disse à agência Lusa que o tamanho do bebé impôs “uma dificuldade técnica muito própria”, tornando esta intervenção “um marco muito importante”. O cirurgião referiu ainda que este tipo de operação acarreta “riscos”, sendo “bastante pesada”, já que os corações dos bebés nestas idades são de elevadas dimensões,“ maiores do que a caixa”.

 

“Quando substituímos o coração de uma criança por um coração artificial externo, que está a funcionar à espera que apareça um coração de dador próprio para um transplante, não é todos os dias, em qualquer parte do mundo, que se faz isso a uma criança tão pequena”, comenta José Fragata.

 

O cirurgião adiantou que a taxa de sucesso em crianças situa-se entre os 50 a 60 por cento, sendo a esperança de vida “boa”, maior do que a dos adultos, uma vez que “há uma certa janela imunológica”. O médico indicou que a bebé “está bem”, encontrando-se nos serviços cuidados intensivos, e acordou no dia seguinte de manhã. Está ainda ligada a um ventilador com os seus “dois coraçõezinhos cá fora e vê-se o sangue passar”.

 

Agora, “o bebé vai ter que se manter com este coração artificial até encontrar um coração imunologicamente e de tamanho que seja compatível com ele. Não é muito fácil arranjar dadores em criança, as crianças morrem pouco. O tamanho aqui é um fator limitante grande. A última criança que tivemos aqui nestas condições, e era uma criança mais velha, esteve aqui quatro meses e meio. Vai permanecer em cuidados intensivos até quando o destino o quiser”, explicou José Fragata.

 

O cirurgião disse ainda que “as autoridades de saúde deviam estar muito satisfeitas”, considerando que “no ambiente de enormes dificuldades por que está a passar o serviço nacional de saúde, ainda é possível ocorrer, de uma forma muito diferenciada, a casos isolados”.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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