Coração artificial do futuro poderá ter "emoções"

Terapias do futuro poderão passar pelo uso de células estaminais

28 agosto 2002
  |  Partilhar:

As válvulas artificiais utilizadas para substituir o coração humano terão "emoções" num futuro próximo, indicaram peritos reunidos na sessão anual da Sociedade Europeia para Órgãos Artificiais inaugurada hoje em Viena.  

 

Os cientistas pretendem desenvolver um comando fisiológico nestes dispositivos que lhes permita adaptarem-se às diferentes necessidades de oxigénio do corpo.  

 

"O engenho tem de funcionar com maior rapidez quando ao paciente surpreender a visão de uma rapariga bonita", disse Ernst Wolner, pioneiro austríaco dos corações artificiais.  

 

Os médicos pretendem criar um comando fisiológico induzido pelo corpo da forma mais simples possível, tornando as válvulas mais flexíveis perante as alterações físicas ou emocionais.  

 

Para tal foram analisados milhares de dados sobre o fluxo sanguíneo no corpo humano, criando um modelo de cálculo para o comando das bombas.  

 

Os corações artificiais foram desenvolvidos sob o lema "Bridging to Regeneration" (fazer a ponte para a regeneração), explicou Wolner.  

 

Segundo o cientista, já existem vários sistemas que se implantaram plenamente e que foram utilizados durante mais de um ano.  

 

A alimentação do dispositivo realiza-se através da pele, por intermédio de uma bobina de indução, e os bons resultados obtidos permitiram mesmo que um dos pacientes voltasse a jogar golfe e outro a nadar.  

 

Wolner, à semelhança de muitos dos seus colegas, defende o funcionamento paralelo da válvula artificial, porque, no caso de se optar por um caminho radical de remoção do coração e o dispositivo de substituição falhar, o paciente morre em apenas três minutos.  

 

No futuro parece imaginável que os sistemas de "ponte" sejam também utilizados para regenerar o coração através da terapia com células mãe, induzindo a formação de novos vasos sanguíneos no coração doente.  

 

O congresso centra-se igualmente no "fígado artificial", área em que a Universidade do Danúbio de Krems, na Áustria, desenvolveu um sistema de desintoxicação do sangue cujo precursor foi certificado recentemente na União Europeia.  

 

O sistema baseia-se na separação do plasma do sangue intoxicado pela falta de fígado para depurá-lo num segundo ciclo com material absorvente.  

 

Segundo Dieter Falkenhagen, da Universidade de Krems, os sistemas de substituição do fígado podem ser utilizados entre oito a dez dias, e o fígado de alguns pacientes regenera-se neste tempo, apesar de na maioria dos casos ser necessário realizar depois um transplante.  

 

Sobre o debate ético surgido em torno das células mãe provenientes de embriões, Wolner considerou que existe muita hipocrisia e até mentira, nomeadamente na Áustria, já que, em seu entender, "não faz sentido aceitar o aborto e ao mesmo tempo proibir a investigação com células estaminais".  

 

Ao mesmo tempo reina um certo optimismo moderado relativamente às experiências com células mãe obtidas a partir da medula óssea e aplicadas em pacientes vítimas de enfarte.  

 

Em 2001, uma paciente recebeu no Hospital Geral de Viena, no decorrer de uma operação para implantação de pontes coronárias, células obtidas por este método para regeneração do músculo cardíaco.  

 

Os resultados deste tratamento são ainda melhores, segundo os médicos, em doentes cardíacos que não foram operados e nos que, depois de uma análise através dos métodos mais modernos para averiguar a zona mais afectada, receberam as células mãe no coração por injecção através de um catéter.  

 

Fonte: Lusa

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.