Contraceptivos orais diminuem o risco de cancro do intestino

Pílula revela potencial anti-cancerígeno surpreendente

16 abril 2001
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O uso de contraceptivos orais parece conferir alguma protecção contra o cancro colorrectal, segundo o que foi hoje noticiado no “British Jornal of Cancer”.
 

 

Foram elaborados 19 estudos nesta área que concluíram que as mulheres que tomam a pílula têm uma redução de cerca de 18% do risco de desenvolver este tipo de cancro, em comparação com as mulheres que usam outro método contraceptivo que não a pílula. Já há muito tempo que se suspeitava que os factores hormonais tivessem um papel importante no desenvolvimento deste tipo de carcinoma, surgindo agora aquilo que poderá ser a confirmação.
 

 

O estudo comparativo final divulgado hoje, foi dirigido pelo Dr. Carlo La Vecchia, do Instituto Farmacológico de Milão (Itália) e seus colaboradores franceses e espanhóis.
 

 

Estes investigadores esperam que este novo achado possa contribuir para o desenvolvimento de novas formas de tratamento para o cancro colorrectal, ou de conseguir explorar melhor as propriedades anti-cancerígenas da pílula.
 

 

A equipa de cientistas descobriu que este efeito anti-cancerígeno é ainda mais potente nas pílulas da nova geração, e que o mesmo potencial não está relacionado com a duração da toma dos contraceptivos orais.
 

 

O estudo incluiu também a participação de mulheres com idades compreendidas entre os 55 e os 60 anos, que tomaram a pílula entre as décadas de 60 a 80, embora se desconheça qual o tipo de pílula que estas mulheres tomavam.
 

 

O estudo não permitiu concluir qual o mecanismo que relaciona a toma da pílula com a diminuição do risco de desenvolver carcinoma colorrectal, no entanto surgiram várias teorias sobre este tema.
 

 

Segundo os investigadores: ”Pode ser que as mulheres fiquem protegidas contra este tipo de cancro através da síntese e secreção da bílis, o que faz com que as concentrações de ácidos biliares no cólon sejam menores”. Admitem ainda que outros mecanismos biológicos possam estar envolvidos, pois constataram que os estrogénios inibem o crescimento das células cancerosas in vitro, e que os receptores celulares dos estrogénios estão presentes no cólon, tanto nas células normais como nas células malignas.
 

 

“A mortalidade causada pelo desenvolvimento de cancro colorrectal nas mulheres sofreu uma queda considerável nos últimos vinte anos, e por isso consideramos que estes números possam estar relacionados com a toma da pílula. No futuro, se estes dados se vieram a confirmar, poderemos vir a desenvolver novos tratamentos para o cancro, ou novas qualidades anti-cancerígenas da pílula”, afirma o Dr. La Vecchia.
 

 

Segundo o Professor Gordon McVide, presidente da Campanha de Investigação Contra o Cancro do Reino Unido. “Estes resultados mostram que as mulheres podem possuir uma arma secreta contra uma doença que mata 46 pessoas por dia no Reino Unido. Pode ser que no futuro os investigadores consigam aumentar o potencial anti-cancerígeno da pílula, para assim combater o segundo cancro mais mortal no Reino Unido”.
 

 

Fonte: Reuters
 

 

David Ferreira
 

MNI - Médicos na Internet

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