Contaminante em alimentos ricos em gordura pode gerar obesidade e diabetes

Estudo conduzido pelo Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde

07 agosto 2017
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Uma equipa de investigadores comprovou que um dos contaminantes presentes em alimentos ricos em gordura pode levar os indivíduos a desenvolverem obesidade, inflamação, diabetes e hipertensão, mesmo quando utilizado em quantidades consideradas, anunciou a agência Lusa
 
Segundo o estudo do Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde (CINTESIS), o contaminante designado DDE, deriva do pesticida DDT, utilizado para matar o mosquito da malária, cujo uso foi proibido na Europa e nos Estados Unidos entre os anos 70 e os anos 80.
 
Apesar de já não serem utilizados, esses poluentes - conhecidos por poluentes orgânicos persistentes (POPs) -, persistem no solo e na água, contaminando os alimentos que são hoje produzidos e consumidos e afetando, sobretudo, os alimentos ricos em gordura, como as carnes vermelhas, os laticínios e os peixes gordos.
 
“Depois de ingeridos, têm uma ação similar a algumas das hormonas que o corpo humano produz naturalmente, alterando o equilíbrio hormonal e criando um maior risco de desenvolvimento de obesidade e de outros problemas de saúde, como diabetes, hipertensão, entre outros", afirmou a instituição.
 
Esta investigação tem como objetivo avaliar o risco para a saúde humana associado à exposição a contaminantes que persistem no ambiente.
 
A equipa realizou um primeiro estudo, entre 2010 e 2011, em que foi possível "confirmar a presença dos contaminantes, mesmo daqueles cujo uso foi já há algumas décadas proibido em Portugal, como é o caso do inseticida DDT", bem como "diversos problemas metabólicos", explicou o investigador do CINTESIS Diogo Pestana.
 
Esses dados, segundo indicou, levaram a concluir que existe uma associação entre a desregulação metabólica e a presença de poluentes no tecido adiposo (gordura), no entanto, só foi possível comprovar a relação no presente estudo.
 
A líder da equipa de investigação em nutrição do CINTESIS, Conceição Calhau, defende que é necessário haver maior regulação política e literacia sobre nutrição, visto que, atualmente, não é possível definir recomendações precisas sobre padrões de consumo ideais, tendo em conta níveis de contaminação, devido à escassez de dados.
 
Os poluentes orgânicos persistentes "não são significativamente eliminados do nosso organismo, acumulando-se ao longo dos anos", referiu, acrescentando que estes "provêm de uma grande diversidade de fontes, o que faz com que estejamos constantemente expostos à sua ação, por via oral, inalada e transdérmica [através da pele]".
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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