Contaminação por alimentos deve ser reportada

Defende investigadora portuguesa

17 dezembro 2015
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Uma investigadora portuguesa alertou para a necessidade de reportar os casos de doenças transmitidas por alimentos contaminados para permitir avaliar o seu impacto.
 
"Este é um problema mundial: não há reconhecimento suficiente do impacto na saúde pública de doenças transmitidas por alimentos e o impacto é sempre maior do que normalmente é reportado", referiu Sara Monteiro Pires à agência Lusa. 
 
A especialista em avaliação de risco em segurança alimentar e saúde pública na Dinamarca, onde trabalha há dez anos, foi uma de 100 especialistas convidados em 2006 pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para avaliar a "carga da doença" (burden of disease) das infeções transmitidas pelos alimentos. 
 
"A OMS estabeleceu este grupo quando reconheceu não existir informação suficiente sobre o impacto na saúde pública das diferentes doenças transmitidas pelos alimentos", e ao mesmo tempo, "para comparar doenças relativamente à incidência e variedade de cada doença", referiu Sara Monteiro Pires sobre o relatório da OMS "Estimativas da Carga Global das Doenças Provocadas por Alimentos", publicado no início do mês. 
 
De acordo com o relatório, uma em cada dez pessoas sofre, todos os anos, de doenças associadas a alimentos. Entre estes doentes, 420 mil morrem, das quais 125 mil são crianças com menos de cinco anos. 
 
"A grande mais-valia deste estudo é que, finalmente, a OMS pode dar conselhos, chamar a atenção para prioridades nas diferentes regiões do mundo em relação a doenças de origem alimentar, como por exemplo, quais os agentes que estão a causar mais doenças, em termos de incidência, mortalidade e perda de qualidade de vida e quais as diferenças de região para região", explicou. 
 
Mesmo os sistemas de saúde e vigilância muito desenvolvidos, como o da Dinamarca, ainda não têm capacidade de notificar a maior parte dos casos, disse. 
 
"Só sabemos a ponta do icebergue da verdadeira 'carga da doença', ou seja, a maior parte dos que ficam doentes com uma intoxicação alimentar não vai ao médico e, se vai, não faz análises e os agentes da doença não são reconhecidos”, acrescentou.
 
Este estudo da OMS revela que "o impacto destas doenças é tremendo em todos os países", sublinhou. 
 
Sara Monteiro Pires acrescentou que, ao contrário de muitas outras doenças com incidência elevada atualmente, como a diabetes e a obesidade, "é possível prevenir as doenças transmitidas por alimentos". 
 
"Esta prevenção exige estratégias de controlo ao longo de toda a cadeia alimentar, desde o prado ao prato. Para definir estas estratégias de segurança alimentar e definir prioridades, é importante saber quais os agentes (bactérias, vírus, parasitas, contaminantes) que causam mais doenças na população, e quais os alimentos que os transmitem", concluiu.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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