Contacto materno: benefícios quantificados 10 anos mais tarde

Estudo publicado na revista “Biological Psychiatry”

09 janeiro 2014
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Os benefícios que os bebés prematuros ganham com o contacto físico materno podem ser quantificados mesmo 10 anos mais tarde, defende um estudo publicado na revista “Biological Psychiatry”.
 

O contacto físico é essencial para o desenvolvimento físico e psicológico dos bebés. Esta associação tem sido aprendida da pior forma, uma vez que os bebés que são negligenciados nos hospitais e orfanatos desenvolvem vários problemas, que vão desde a depressão até dificuldades no desenvolvimento.
 

Contudo, ainda não está perfeitamente estabelecido que tipos de contactos são necessários e quais são os efeitos benéficos de um contacto físico mais próximo. De forma a aprofundar mais este tema, os investigadores da Universidade de Bar-Ilan, Israel, estudaram o impacto de níveis diferentes de contacto físico nos bebés prematuros.
 

Os investigadores compararam os cuidados habituais envolvidos na utilização da incubadora com uma intervenção denominada por “Método Canguru" que foi inicialmente desenvolvido para controlar a hipotermia em bebés prematuros que não tinham acesso a incubadoras.
 

Neste estudo foi solicitado a 73 mães que utilizassem o “método canguru”, onde ocorria um contacto físico direto entre a mãe e o bebé, na unidade neonatal, uma hora por dia ao longo de 14 dias consecutivos. Os investigadores incluíram também no estudo 73 bebés prematuros que tiveram os cuidados neonatais habituais. As crianças foram avaliadas sete vezes ao longo dos seus 10 primeiros de vida.
 

O estudo apurou que durante o primeiro ano de vida, as mães incluídas no primeiro grupo eram mais sensíveis e demonstravam mais carinho para com os seus filhos. As crianças que tiveram um contacto físico direto com as mães também apresentaram melhores capacidades cognitivas e capacidades executivas nos testes que foram efetuados repetidamente entre os seis meses e os 10 anos de idade.
 

Aos 10 anos, as crianças que tiveram um contato materno mais estreito enquanto bebés, apresentaram uma melhor resposta neuroendócrina ao stress, um funcionamento mais maduro do sistema nervoso autónomo, e um melhor controlo cognitivo, comparativamente com as crianças que receberam os cuidados neonatais habituais.
 

De acordo com o diretor da revista onde este estudo foi publicado, John Krystal, estes resultados chamam mais uma vez a atenção sobre as consequências que o contacto materno pode ter no desenvolvimento cerebral das crianças bem como na construção de uma relação mais estreita entre a mãe e o filho.  
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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