Consumo moderado de álcool diminui o risco de insuficiência cardíaca

Estudo publicado no “European Heart Journal”

23 janeiro 2015
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O consumo moderado de álcool diminui o risco de insuficiência cardíaca, sugere um estudo publicado no “European Heart Journal”.
 

A insuficiência cardíaca é uma condição em que o coração já não é capaz de bombear o sangue de um modo eficaz para todo o organismo. Esta condição é habitualmente causada por danos no músculo cardíaco, resultantes, por exemplo, da ocorrência de um enfarte agudo do miocárdio. A pressão arterial elevada, a doença do músculo cardíaco (cardiomiopatia), problemas nas válvulas cardíacas, batimentos cardíacos irregulares (arritmia), infeções virais, consumo excessivo de álcool, consumo de drogas e os efeitos colaterais dos tratamentos de radioterapia podem também contribuir para o desenvolvimento da insuficiência cardíaca. Esta condição é um problema de saúde pública importante que afeta mais de 23 milhões de indivíduos em todo o mundo.
 

Neste estudo, os investigadores da Escola de Medicina de Harvard e de um hospital nos EUA, contaram com a participação de 14.629 indivíduos com idades compreendidas entre os 45 e os 64 anos. Os participantes foram acompanhados ao longo de 24 a 25 anos, período durante o qual foram periodicamente questionados sobre o seu consumo de álcool.
 

Os participantes foram divididos em seis categorias distintas: abstémios, ex-consumidores, os que consumiam até sete bebidas por semana, ou entre 7 a 14 bebidas, 14 a 21 bebidas, ou 21 ou mais bebidas por semana. Bebida alcoólica foi definida como uma bebida que continha 14g de álcool, o equivalente a cerca de um copo pequeno de vinho (125ml).
 

Ao longo do período de acompanhamento, 1.271 homens e 1.237 mulheres desenvolveram insuficiência cardíaca. A menor taxa de insuficiência cardíaca ocorreu entre os indivíduos que consumiam até sete bebidas por semana e a maior taxa foi observada entre os ex-consumidores.
 

Após terem tido em conta alguns fatores que poderiam afetar os resultados, tais como idade, diabetes, pressão arterial elevada, doenças cardíacas, índice de massa corporal, níveis de colesterol, etc., os investigadores verificaram que os homens que consumiam até sete bebidas por semana apresentavam um risco 20% menor de desenvolver insuficiência cardíaca, comparativamente com os abstémicos. Nas mulheres este risco foi reduzido em cerca de 16%.
 

O estudo apurou também que os ex-consumidores apresentavam um risco maior de desenvolver insuficiência cardíaca (19% e 17% maior para os homens e mulheres, respetivamente) comparativamente com os abstémios. Curiosamente, nos participantes que consumiram quantidades mais elevadas de álcool (14 ou mais bebidas por semana), o risco de insuficiência cardíaca não foi significativamente diferente daquele encontrado nos abstémios.

 

No entanto, quando os investigadores analisaram a morte por qualquer causa, houve um aumento de risco de morte de 47% para os homens e 89% das mulheres para os que consumiam 21 ou mais bebidas por semana no início do estudo.
 

“Estes resultados sugerem que o consumo moderado de álcool, não contribui para um aumento do risco de insuficiência cardíaca e pode até ter um efeito protetor”, conclui um dos autores do estudo, Scott Solomon.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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