Consumo irresistível de chocolate pode estar associado a problemas de saúde

Estudo publicado na revista científica da Ordem dos Médicos

04 março 2013
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O desejo irreprimível pelo consumo de chocolate, conhecido como “craving”, pode está associado a diversos problemas, como obesidade ou depressão, dá conta um estudo publicado na última edição da revista científica da Ordem dos Médicos (Ata Médica Portuguesa).
 

O estudo realizado pelo serviço de psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa concluiu que o “craving” por chocolate está associado a problemas de saúde como a obesidade, a depressão, a ansiedade e o consumo de substâncias.
 

Uma das autoras do estudo, Ana Luísa Almada revelou à agência Lusa que são “inúmeros os problemas de saúde ligados à obesidade, incluindo a diabetes tipo 2, a hipertensão, a doença arterial coronária e o acidente vascular cerebral”.
 

A investigadora referiu que a morbilidade relacionada com obesidade leva a mais hospitalização, mortalidade e custos.
 

Os “dependentes” têm “pensamentos obsessivos, sentimentos de perda de controlo ou compulsão, capazes de promover comportamentos de busca da substância desejada para obter um estado elevado de prazer, energia ou excitação”, que neste caso é o chocolate.
 

O estudo refere que o chocolate não é uma substância qualquer já que “crenças populares conferem ao chocolate propriedades estimulantes, relaxantes, euforizantes, afrodisíacas, tonificantes e antidepressivas”, lê-se no estudo.
 

Contudo, “o chocolate é também entendido como um alimento pouco saudável, carente de valor nutricional, e estigmatizado por associações com a obesidade e o pecado”, pelo que “desencadeia sentimentos de ambivalência”.
 

A “dependência” por chocolate também não é uma classificação unânime, com alguns especialistas a considerarem excessivo rotular o “craving” como uma adição, enquanto outros entendem tratar-se de um comportamento aditivo, porque pode provocar, em pessoas suscetíveis, "reações psicofarmacologicas e comportamentais semelhantes às que aparecem em perturbações aditivas”.
 

O estudo refere que na origem do “craving” por chocolate podem estar fatores biológicos ou psicológicos, embora inicialmente se presumisse que tinha uma base fisiológica devido à diferença entre géneros, à tendência temporal para os “cravings” ocorrerem no final da tarde ou no início da noite e à forte relação entre o ciclo menstrual e o “craving” por chocolate e por outros doces.
 

O chocolate é consumido “em momentos de stress emocional, devido às suas propriedades reconfortantes, para proporcionar distração, relaxamento e melhores estados emocionais”.

 

“O ganho ponderal causado pela ingestão emocional de alimentos pode exacerbar estados aversivos de humor, que por sua vez podem desencadear um novo ciclo emocional de alimentação e aumento de peso”.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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