Consumo excessivo de álcool prolongado pode afetar artérias

Estudo publicado no “Journal of the American Heart Association”

23 fevereiro 2017
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Um novo estudo longitudinal indicou que o consumo excessivo de bebidas alcoólicas por um período prolongado poderá provocar o envelhecimento prematuro das artérias.
 
O estudo liderado por Darragh O'Neill, um investigador epidemiológico da University College London, Reino Unido, teve como objetivo determinar uma associação entre o consumo de bebidas alcoólicas durante 25 anos e alterações no enrijecimento das artérias. 
 
Para o estudo, a equipa contou com a participação de 3.869 indivíduos, 73% dos quais eram do sexo masculino. Na primeira avaliação sobre o consumo de álcool, os participantes tinham idades compreendidas entre os 30 e os 50 e tal anos. 
 
Foram excluídos do estudo indivíduos com um historial de doença cardiovascular. Poucos participantes eram fumadores na altura, mas no entanto 68% dos homens e 74% das mulheres não cumpriam os requisitos das linhas orientadoras de prática de exercício físico semanal. Um em cada 10 participantes tinha diabetes de tipo 2. 
 
Foi verificado que os homens apresentavam uma maior tendência para consumirem bebidas alcoólicas em excesso em comparação com as mulheres.
 
Durante o estudo o consumo de álcool foi medido repetidamente de forma a classificar os participantes em termos de tipos de consumidores de bebidas alcoólicas: o consumo excessivo de longo-termo foi definido como sendo superior a 112 gramas de etanol por semana, que é mais do que as diretrizes do Reino Unido de 14 unidades semanais.
 
Os investigadores compararam dados relativos ao consumo de bebidas alcoólicas através da medição da velocidade da onda de pulso carótida-femoral (VOP aórtica) ou das ondas de pulso entre as artérias principais do pescoço e coxa. Quanto maior a velocidade, mais rija se encontra a artéria. Os investigadores observaram depois a associação entre os padrões de consumo de longo termo e a velocidade da onda de pulso e a sua progressão num intervalo de 4 a 5 anos.
 
Foi verificado que o consumo excessivo de álcool afeta a elasticidade das paredes das artérias, sendo que os homens que consumiam álcool em excesso de forma consistente apresentavam uma VOP aórtica significativamente superior aos que consumiam álcool em moderação. Esta associação não foi tão significativa para as mulheres apesar, de perfazerem apenas 27% dos participantes. 
 
Os investigadores concluíram que o consume excessivo de bebidas alcoólicas faz aumentar o risco cardiovascular, especialmente nos homens. Foi também verificado, à semelhança de estudos anteriores, que o consumo moderado de bebidas alcoólicas está associado a uma diminuição do risco de doença cardiovascular. Torna-se necessário determinar a partir de que quantidade é que o álcool começa a danificar as artérias.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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