Consumo elevado de fibra reduz risco de diabetes tipo 2

Estudo publicado na revista “Diabetologia”

02 junho 2015
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O consumo de elevadas quantidades de fibra reduz o risco de desenvolver diabetes tipo 2, defende um estudo publicado na revista “Diabetologia”.
 

Estima-se que mais de 360 milhões de pessoas em todo o mundo tenha diabetes e este número deverá aumentar para mais de 550 milhões em 2030, com graves consequências para a saúde e a economia dos países desenvolvidos e em desenvolvimento.
 

A maioria dos dados que têm servido de base à investigação realizada acerca da associação entre o aumento da ingestão de fibra alimentar e um risco reduzido de desenvolver diabetes tipo 2 são provenientes dos EUA, mas as quantidades e as fontes de ingestão de fibra diferem substancialmente de país para país.
 

Neste estudo, chamado EPIC-InterAct, os investigadores avaliaram as associações entre fibra total, bem como a fibra de cereais, frutas, e fontes vegetais, e o desenvolvimento da diabetes 2 num grande grupo europeu que incluiu oito países. Foi também realizada uma meta-análise, onde foram combinados os dados deste estudo com os de outros 18 estudos independentes de todo o mundo.
 

O estudo EPIC-InterAct incluiu 12.403 casos de diabetes tipo 2 e utilizou como grupo controlo um grupo de 16.835 indivíduos provenientes do estudo European Prospective Investigation into Cancer and Nutrition, que contou com um total de 350.000 participantes.
 

Os participantes foram divididos em quatro grupos com a mesma dimensão, tendo em conta a quantidade de fibra ingerida. Ao longo do período de acompanhamento, que durou em média 11 anos, foi analisado o risco de desenvolvimento da diabetes.
 

O estudo apurou que os indivíduos que ingeriam a maior quantidade de fibras (mais de 26 g/dia) apresentaram um risco 18% inferior de desenvolver diabetes, comparativamente com aqueles com um menor consumo total de fibra (menos de 19 g/dia). Após terem tido em conta o índice de massa corporal (IMC) como um marcador de obesidade, um maior consumo de total de fibras não foi associado a um menor risco de desenvolver diabetes. Estes resultados sugerem que a associação benéfica da ingestão de fibras pode ser, em parte, mediada pelo IMC. Assim a fibra dietética pode ajudar as pessoas a manter um peso saudável, que por sua vez reduz a probabilidade de desenvolver diabetes tipo 2.
 

Após terem avaliado as diferentes fontes de fibra, os investigadores constataram que a fibra cereal era a que tinha um efeito mais pronunciado no desenvolvimento da diabetes tipo 2. Verificou-se que os indivíduos com os níveis de consumo mais elevados de cereais e fibras vegetais apresentaram um risco 19% e 16% menor de desenvolver diabetes, respetivamente, comparativamente com aqueles com o menor consumo destes tipos de fibras. Mais uma vez, estas associações desapareceram quando os resultados foram ajustados de acordo com o IMC. Por outro lado, verificou-se que a fibra de fruta não foi associada a uma redução do risco de diabetes.
 

Os investigadores também realizaram uma meta-análise, onde reuniram os dados deste estudo com outros 18 estudos independentes. A meta-análise, que incluiu mais de 41.000 casos de diabetes tipo 2, constatou que o risco de diabetes diminuiu 9% por cada aumento de 10 g/dia de ingestão total de fibras, e 25% por cada aumento de 10 g/dia de ingestão de fibras de cereais. Não foi encontrada uma relação estatisticamente significativa entre o aumento fibras vegetais ou de frutas e a redução do risco de desenvolvimento de diabetes.
 

“Os nossos resultados indicam que os indivíduos que seguem dietas ricas em fibra, especialmente fibras de cereais, podem estar em menor risco de desenvolver diabetes tipo 2. Ainda não sabemos ao certo como isto ocorre, mas alguns mecanismos podem incluir sensação de saciedade prolongada, libertação prolongada de sinais hormonais, abrandamento da absorção de nutrientes, ou alteração da fermentação no intestino grosso. Todos estes mecanismos podem conduzir a um menor IMC e redução do risco de desenvolver diabetes tipo 2”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Nick Wareha.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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