Consumo elevado de colesterol não aumenta risco de doenças da memória

Estudo publicado no “American Journal of Clinical Nutrition”

12 janeiro 2017
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Investigadores finlandeses demonstraram que a ingestão relativamente elevada de colesterol através da dieta ou o consumo diário de um ovo não estão associados a um risco elevado de demência ou doença de Alzheimer, sugere um estudo no “American Journal of Clinical Nutrition”.
 

Os investigadores da Universidade da Finlândia Oriental também apuraram que não foi encontrada qualquer associação nos indivíduos portadores da variante do gene APOE4 que afeta o metabolismo do colesterol e aumenta os risco de distúrbios de memória.
 

Os níveis elevados de colesterol no soro têm sido associados não apenas a um aumento do risco de doenças cardiovasculares, mas também a um aumento do risco doenças associadas à memória. Na maioria da população, o colesterol dietético afeta apenas ligeiramente os níveis de colesterol sérico.
 

Contudo, nos portadores do APOE4 o efeito do colesterol dietético no colesterol sérico é mais visível. Na Finlândia, a prevalência do gene APOE4, que é uma variante hereditária, é excecionalmente elevada sendo que aproximadamente um terço da população é portadora. Contudo, até à data, ainda não existiam dados sobre a possível associação entre um consumo elevado de colesterol através da dieta e o risco de doenças que afetam a memória.
 

Neste estudo, os investigadores, liderados por Jyrki Virtanen, avaliaram os hábitos dietéticos de 2.497 homens com idades compreendidas entre os 42 e os 60 anos, que não tinham sido diagnosticados com distúrbios de memória.
 

Ao longo dos 22 anos do período de acompanhamento, 337 indivíduos foram diagnosticados com problemas de memória, 266 dos quais com doença de Alzheimer. No total 32,5% dos participantes eram portadores da variante do gene APOE4.
 

O estudo apurou que o consumo elevado do colesterol dietético não estava associado ao risco de demência ou doença de Alzheimer, quer na população total quer nos indivíduos portadores da variante do gene APOE4.
 

Adicionalmente verificou-se que o consumo de ovos, que são uma fonte considerável de colesterol dietético, não estava associado ao risco de demência ou doença de Alzheimer. Pelo contrário, a ingestão de ovos foi associada a melhores resultados em testes de avaliação do desempenho cognitivo.
Estes achados sugerem assim que uma dieta rica em colesterol ou o consumo frequente de ovos não aumenta o risco de distúrbios de memória, mesmo em indivíduos geneticamente predispostos a um maior efeito do colesterol dietético nos níveis séricos de colesterol.
 

O grupo de controlo incluía indivíduos que consumiam uma média diária de 520mg de colesterol dietético, bem como uma média de um ovo por dia, desta forma os investigadores concluem que estes achados não podem ser generalizados para além destes níveis.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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