Consumo de psicofármacos por jovens leva especialistas a questionarem prescrição

Dados do relatório do Programa de Saúde Prioritário na área da Saúde Mental – 2017

12 outubro 2017
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A maioria dos jovens entre os 13 e os 18 anos que tomou psicofármacos fê-lo através de prescrição médica, o que leva responsáveis da área da saúde mental a “questionar sobre a racionalidade da prescrição destes fármacos”, apurou a agência Lusa.
 
A ideia é levantada no relatório do Programa de Saúde Prioritário na área da Saúde Mental – 2017, ao qual a agência Lusa teve acesso.
 
De acordo com o documento, o maior consumo de psicofármacos, nomeadamente tranquilizantes e sedativos, deu-se já perto dos 18 anos, idade em que 17,2% dos jovens consumiram estes medicamentos, mediante receita médica, e 6,1% sem a prescrição do clínico.
 
Aos 17 anos, a prescrição com receita médica destes fármacos atingiu os 15,6% e os 6,4% sem receita. Os jovens com 15 anos registam uma percentagem de 12,7% com receita e cinco por cento sem prescrição.
 
Perante estes valores, os autores do relatório referem que “quando se verificam os resultados abaixo e que em todos os grupos etários a maioria acedeu a psicofármacos através de prescrição médica, é inevitável questionar sobre a racionalidade da prescrição destes fármacos”.
 
“O Sistema Nervoso Central tem um amadurecimento lento e complexo que estará concluído pelos 18 anos, o que justifica a recomendação de evitar a utilização de substâncias psicoativas até então”, lê-se no documento.
 
Os autores referem um aumento do consumo de medicamentos associados à área da saúde mental, em todos os grupos farmacológicos, entre 2012 e 2016, e uma “ligeira redução desde 2014” no grupo dos “Ansiolíticos, sedativos e hipnóticos”.
 
O relatório cita dados do Inquérito Nacional ao Consumo de Substâncias Psicoativas na População Geral, segundo o qual “o álcool é a substância psicoativa com maior prevalência de consumo experimental (ao longo da vida) entre a população geral em Portugal com idades compreendidas entre os 15 e os 64 anos, oscilando entre um mínimo de 73,6% (registado em 2012) e um máximo de 86,3% (registado em 2016/17)”.
 
Os autores indicam que o registo de utentes com perturbações mentais – perturbações de ansiedade, depressivas e demências – nos cuidados de saúde primários tem vindo a aumentar desde 2011.
 
Para 2020, os responsáveis do Programa Nacional para a Saúde Mental (PNSM) pretendem aumentar em 25% o registo das perturbações mentais nos cuidados de saúde primários e inverter a tendência da prescrição de benzodiazepinas na população através da sua estabilização.
 
Outra meta passa por apoiar a criação de 1.500 lugares para adultos e 500 para crianças/adolescentes em cuidados continuados integrados de saúde mental e ainda aumentar em 30% o número de ações no âmbito dos programas de promoção da saúde mental e de prevenção das doenças mentais, desenvolvidos pelo PNSM.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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