Consumo de peixe na gravidez melhora desenvolvimento fetal

Estudo publicado no “American Journal of Clinical Nutrition”

28 janeiro 2015
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Os benefícios do consumo de peixe no desenvolvimento fetal ultrapassam os riscos associados à exposição ao mercúrio, sugere um estudo publicado no “American Journal of Clinical Nutrition”.
 

Atualmente, a FDA recomenda que as mulheres grávidas não ingiram peixe mais do que duas vezes por semana. A razão para limitar este consumo está associada ao facto de grande parte do mercúrio ficar depositado nos oceanos, o que faz com que os peixes contenham pequenas quantidades desta substância química.
 

Apesar de ainda não se ter provado que existe uma associação entre o consumo de peixe e o desenvolvimento de problemas na infância, a comunidade científica tem-se preocupado com as consequências dos elevados níveis de mercúrio nas mulheres grávidas. No entanto, os peixes contêm muitos nutrientes benéficos, como os ácidos gordos, que são essenciais para o bom desenvolvimento cerebral.
 

De forma a tentar aprofundar melhor esta temática, os investigadores da Universidade de Rochester, nos EUA, Universidade de Belfast, no Reino Unido, e do Ministério Público da República das Seychelles contaram com a participação de mais de 1.500 mães e filhos. Vinte meses após o nascimento, as crianças foram submetidas a uma bateria de testes concebidos para avaliar as suas capacidades de comunicação e motoras, bem como o seu comportamento. Foram também recolhidas amostras do cabelo das mulheres durante a gravidez de forma a medir os níveis de exposição pré-natal ao mercúrio na gravidez.
 

O estudo apurou que a exposição pré-natal ao mercúrio não estava associada a piores resultados nos testes a que as crianças foram submetidas.
 

Os investigadores também mediram os níveis de ácidos gordos insaturados nas mulheres grávidas. Verificou-se que as crianças cujas mães apresentavam elevados níveis de ácidos gordos ómega -3, que estão presentes no peixe, apresentavam melhores resultados em alguns dos testes a que foram submetidas.
 

Os ácidos gordos ómega-3 são conhecidos pelas suas propriedades anti-inflamatórias, comparativamente com os ácidos gordos ómega -6 (encontrados na carne e nos óleos de cozinha) que promovem a inflamação. Um dos mecanismos através do qual o mercúrio provoca danos é através da oxidação e inflamação. Assim, os investigadores colocaram a hipótese de que para além dos ácidos gordos ómega-3 serem benéficos em termos de desenvolvimento cerebral, estes compostos poderiam também neutralizar os efeitos negativos do mercúrio. Na verdade, verificou-se que as crianças cujas mães apresentavam níveis elevados de ácidos gordos ómega-6 obtiveram piores resultados nos testes de avaliação das capacidades motoras, comparativamente com aquelas cujas mães tinham elevados níveis de ácidos gordos ómega-3.
 

“Estes resultados indicam que o tipo de ácidos gordos que a mãe consome durante a gravidez tem efeitos distintos no desenvolvimento neurológico futuro das crianças”, conclui um dos autores do estudo, Sean Strain.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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