Consumo de gorduras saudáveis pode diminuir mortalidade mundial

Estudo publicado no “Journal of the American Heart Association”

25 janeiro 2016
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O consumo de gorduras mais saudáveis pode impedir que um milhão de indivíduos a nível internacional morra de doença cardíaca, refere um estudo publicado no “Journal of the American Heart Association”.
 

"A nível mundial, os políticos estão focados na redução de gorduras saturadas. No entanto, descobrimos que haveria um impacto muito maior nas mortes por doença cardíaca se a prioridade fosse aumentar o consumo de gorduras polinsaturadas como um substituto das gorduras saturadas e hidratos de carbono refinados, assim como para reduzir as gorduras trans", revelou, em comunicado de imprensa um dos autores do estudo, Dariush Mozaffarian.
 

As gorduras polinsaturadas pode ajudar a reduzir os níveis de chamado “mau” colesterol, que pode diminuir o risco de doença cardíaca e acidente cerebral vascular. Os óleos ricos em gorduras polinsaturadas também fornecem gorduras essenciais que o organismo necessita, nomeadamente alguns ácidos gordos de cadeia longa. Os alimentos que contêm gorduras polinsaturadas incluem óleos de soja, milho e girassol, tofu, nozes e sementes, e peixes gordos como o salmão, cavala, arenque e truta.
 

Com o intuito de estimar o número anual de mortes associado aos vários padrões de consumo de gorduras, os investigadores da Universidade de Tufts, nos EUA, utilizaram informações da dieta e da disponibilidade de alimentos de 186 países. Foram também utilizados dados de estudos longitudinais anteriores, que analisam pessoas durante longos períodos do tempo, para determinar como a ingestão de gorduras específicas influenciava o risco de doenças cardíacas.
 

Tendo como base os dados de 2010, os investigadores estimaram que, em todo o mundo, 711.800 mortes resultantes de doenças cardíacas foram causadas por um baixo consumo de ácidos gordos ómega-6 polinsaturados tendo estes sido substituídos pela ingestão de gorduras saturadas e hidratos de carbono refinados. Isto representa 10,3% do total das mortes por doenças cardíacas.
 

Comparativamente, apenas um terço (250.900 mortes por doença cardíaca) resultaram do consumo de gorduras saturadas em vez de óleos vegetais mais saudáveis, o que represente 3,6% das mortes por doença cardíaca.
 

As gorduras saturadas são encontradas na carne, queijos e produtos lácteos gordos, assim como em óleos de palma e coco. Os investigadores sugerem que a diferença se deve aos benefícios adicionais do aumento dos ácidos gordos ómega-6 como substituição dos hidratos de carbono.
 

O estudo apurou ainda que 537.200 mortes, que representam 7,7,% das mortes globais por doenças cardíacas, resultaram do consumo excessivo de gorduras trans, como aquelas encontradas nos produtos processados e fritos.
Ao compararem 1990 com 2010, os investigadores verificaram que a proporção de mortes por doenças cardíacas devido ao consumo insuficiente de ácidos gordos ómega-6 polinsaturados diminui 9% e por gorduras saturadas diminui 21%. Pelo contrário, as mortes resultantes do elevado consumo de gorduras trans aumentaram 4%.
 

Na opinião de Dariush Mozaffarian, estes resultados deveriam ser cautelosamente analisados pelos decisores públicos e políticos do mundo inteiro, de forma a ajudar os países a definir as prioridades nutricionais com o objetivo de combater a epidemia global de doenças cardíacas.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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