Consumo de ecstasy afeta cérebro e visão

Estudo realizado por investigadores da Universidade de Coimbra

06 janeiro 2012
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O consumo de ecstasy prejudica não só o cérebro, mas também a visão, provocando alterações na perceção e acuidade visual durante pelo menos 24 horas, de acordo com um estudo realizado pelos investigadores da Universidade de Coimbra (UC).

 

Em declarações à agência Lusa o coordenador do estudo, Francisco Ambrósio, revelou que “havia inúmeros estudos sobre os danos que esta droga provoca no cérebro mas nenhum a nível da fisiologia da retina”.

 

Neste estudo, que foi publicado na revista científica “'PlosS One”, os investigadores administraram a ratos “uma dose única, elevada, de ecstasy” tendo observado que o eletrorretinograma apresentava alterações, que persistiam 24 horas após o consumo.

 

No estudo inicial, foi comparada a fisiologia da retina dos ratos “drogados” com a de outros a quem foi aumentada, de forma artificial, a temperatura corporal.

 

O aumento da temperatura corporal é um dos efeitos das metanfetaminas e anfetaminas (grupo no qual se inclui o ecstasy), que causam também danos nos neurónios serotonínicos (associados ao humor e bem estar) e têm ainda impacto ao nível cardíaco e do controlo da respiração, referiu o investigador.

 

“Os ratos a quem tínhamos aumentado a temperatura, passadas três horas, apresentavam alterações na retina semelhantes às detetadas nos ratos a quem administramos ecstasy, mas após 24 horas, apenas estes últimos ainda tinham alterações na fisiologia da retina”, revelou o especialista em ciências da visão.

 

As alterações observadas são essencialmente ao nível dos fotorrecetores, as células que captam a luz que chega à retina e transmitem para o cérebro um impulso nervoso e que nos permite ter perceção e acuidade visual, acrescentou o investigador.

 

O que os investigadores procuram agora perceber são quais os efeitos do consumo regular de ecstasy, ou seja, se doses mais baixas, mas consumidas regularmente, têm o mesmo impacto, tendo em conta dois padrões de consumo: o jovem que consome a droga diariamente e que o faz apenas aos fins de semana.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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