Consumo de drogas legais leva a hospitalizações

Mais de 30 casos de complicações registados nos últimos dois meses

02 janeiro 2013
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No espaço de dois meses foram registados em Portugal 34 casos de complicações consequentes do consumo de drogas legais, apontam dados do Ministério da Saúde.

 

Os hospitais públicos começaram a registar casos de complicações em doentes devido ao consumo de novas substâncias psicoativas que são vendidas normalmente nas chamadas lojas “smartshops”. Dos 34 casos, contam-se 16 internamentos e duas situações de coma.

 

Os casos de complicações foram registados maioritariamente na zona de Lisboa e Vale do Tejo e na zona Centro, onde há maior concentração das lojas que vendem estes produtos. Existem cerca de 40 locais que comercializam estas substâncias, as quais vendidas legalmente como fertilizantes de plantas.

 

Registou-se, entre os mais de 30 casos, uma elevada taxa de complicações do foro psiquiátrico, com metade dos doentes a exibirem alterações de comportamento consideradas muito graves. Está em curso uma investigação a dois casos de morte, mas segundo o secretário de Estado não há ainda registo de óbitos diretamente atribuídos a essas substâncias.

 

O secretário de Estado Adjunto do Ministro da Saúde, Fernando Leal da Costa, revelou à agência Lusa que “isto só vem demonstrar o elevado grau de perigosidade destas substâncias e justificar a nossa preocupação em, tão cedo quanto possível, criar um quadro legislativo que torne impossível a venda destes produtos”.

 

Mesmo sem registo de óbitos, o secretário de Estado da Saúde considerou “preocupante” que mais de 30% das ocorrências indiquem sequelas neurológicas ou mentais. 9 dos casos eram reincidências, ou seja pessoas que já tinham recorrido às urgências hospitalares por consumo destas drogas.

 

A faixa etária dos consumidores que recorreram às urgências hospitalares constitui igualmente motivo de preocupação para as autoridades: 40% das ocorrências diziam respeito a jovens até aos 17 anos e 80% a pessoas até aos 30 anos.

 

“O perfil a que estamos a assistir, em particular nos jovens, deixa-nos muito alarmados”, comentou Leal da Costa, referindo ainda que existe uma tendência de casos em que são consumidas várias substâncias em simultâneo: novas drogas, álcool e também canábis.

 

A Autoridade do Medicamento e Produtos de Saúde (Infarmed) está a terminar uma lista de substâncias que permitirá criar uma portaria para suspender a venda destes produtos por um período até 18 meses “por razões de saúde pública”.

 

Esta portaria irá disponibilizar às autoridades fiscalizadoras, como a ASAE, o enquadramento legal necessário para atuar sobre as “smartshops”. “O que queremos é pegar nestas substâncias e equipará-las aos estupefacientes que estão proibidos e, a partir daí, estas lojas terão de mudar de rumo”, afirma Leal da Costa.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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