Consumo de cafeína é prejudicial durante a gravidez

Estudo em colaboração com a universidade de Coimbra

22 agosto 2013
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O consumo de cafeína durante a gravidez é prejudicial ao desenvolvimento do cérebro do bebé, anunciou a Universidade de Coimbra (UC).

 

A descoberta é fonte de um estudo levado a cabo por uma equipa internacional de investigadores daquela Universidade, através do Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC), das Faculdades de Medicina (FMUC) e de Ciências e Tecnologia (FCTUC), tendo ainda envolvido cientistas da Alemanha e da Croácia.

 

Segundo apurou a agência Lusa, o estudo foi publicado na revista científica “Science Translational Medicine”, uma publicação do grupo “Science”.

 

Uma nota de imprensa da UC esclarece que “a equipa avaliou o seu impacto durante o período de gestação e descreveu, pela primeira vez, os efeitos nocivos do consumo de cafeína (em ratinhos fêmeas) durante a gravidez, sobre o cérebro dos seus filhotes”. O mesmo comunicado refere ainda que “este trabalho, apesar de realizado em roedores, sugere que devem ser realizados estudos cuidadosos para avaliar as consequências do consumo de cafeína por mulheres grávidas”.

 

Para o estudo a equipa de investigadores reproduziu o consumo regular de café em ratos fêmeas, em doses equivalentes ao consumo humano de três chávenas de café por dia, durante toda a gestação e até ao desmame das crias.

 

Rodrigo Cunha, coordenador da equipa portuguesa do estudo, observou que os jovens roedores “mostraram maior suscetibilidade de desenvolver epilepsia e, quando atingiram a idade adulta, detetaram-se problemas de memória espacial”.

 

“A cafeína altera a migração e inserção de neurónios que libertam GABA - o principal mediador químico inibidor no cérebro". "Estes neurónios formam-se numa região particular e depois migram para, entre outros lugares, o hipocampo, uma região do cérebro que desempenha um papel fundamental na formação da memória”, descreve ainda Rodrigo Cunha, na mesma nota de imprensa.

 

Foi também observado “que a cafeína influencia diretamente a migração destes neurónios, por bloquear a ação de um recetor específico, chamado A2A, diminuindo a velocidade de migração dos neurónios. Assim, as células vão chegar ao seu destino mais tarde do que o previsto. Esta migração tardia afeta a construção do cérebro com efeitos observados após o nascimento (alterações da excitabilidade celular e aumento da suscetibilidade a episódios convulsivos) e, durante a vida adulta, perda de neurónios e défices de memória”.

 

O investigador conclui que este estudo “é a primeira demonstração dos efeitos nocivos da exposição à cafeína sobre o cérebro em desenvolvimento e, embora questione o consumo de cafeína por mulheres grávidas, é necessário realçar o cuidado em extrapolar os resultados obtidos em modelos animais para a população humana, sem ter em consideração as diferenças no desenvolvimento do cérebro e da maturação entre as espécies”.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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