Consumo de açúcar deveria ser tão controlado como o álcool ou o tabaco

Estudo publicado na “Nature”

07 fevereiro 2012
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O consumo de açúcar deveria ser tão controlado como o consumo de álcool ou de tabaco, de forma a proteger a saúde pública, dá conta um estudo publicado na revista “Nature”.

 

De acordo com uma revisão bibliográfica realizada por três especialistas em endocrinologia, sociologia e saúde pública, da University of California, São Francisco, nos EUA, o consumo de açúcar está a provocar a pandemia global da obesidade, contribuindo para 35 milhões de mortes em todo o mundo, anualmente, devido a doenças como a diabetes, doenças cardiovasculares e cancro.

 

O açúcar não é só prejudicial para saúde por contribuir para o aumento de peso, argumentam os investigadores. Os níveis consumidos pela maior parte dos americanos conduzem a alterações no metabolismo, aumento da pressão arterial, alteração da sinalização das hormonas e danos significativos no fígado. Estes riscos para a saúde espelham, em grande parte, os efeitos do consumo excessivo de álcool. 

 

“Enquanto as pessoas pensarem que o açúcar são só calorias não vamos conseguir resolver este problema”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Robert Lustig.

 

“Existem calorias boas e más, assim como gorduras boas e más, aminoácidos bons e maus, mas o açúcar é tóxico para além das suas calorias”, acrescentou o investigador.

 

A limitação do consumo de açúcar coloca desafios que vão além da educação acerca do seu potencial tóxico. “Reconhecemos que há aspetos culturais e comemorativos associados açúcar. Mudar este tipo de padrões irá ser bastante complicado”, revelou, uma das coautoras do estudo, Claire Brindis.

 

De acordo com a investigadora, é necessário intervir não só a nível individual mas criar soluções globais com capacidade de atingir toda a comunidade, semelhante ao que ocorreu com o álcool e tabaco, aumentando assim a probabilidade de sucesso da intervenção.

 

Muitas das intervenções que conduziram à redução do consumo de álcool e tabaco podem funcionar como modelos para resolver o problema de saúde associado ao açúcar, nomeadamente criação de impostos especiais, controlar o acesso, e reforçar as exigências de licenciamento das máquinas de venda automática que vendem produtos com elevado teor de açúcar, nas escolas e locais de trabalho.

 

"Nós não estamos a falar de proibição", revelou uma outra autora do estudo, Laura Schmidt. "Estamos a falar de formas de tornar o consumo de açúcar um pouco menos conveniente”.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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