Consumir peixe na gravidez não protege criança de doenças respiratórias

Estudo com participação do Instituto de Saúde Pública do Porto

02 maio 2017
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Um estudo internacional, no qual participaram investigadores do Instituto de Saúde Pública do Porto (ISPUP), concluiu que o consumo de peixe durante a gravidez não atua como protetor para o desenvolvimento de doenças respiratórias, anunciou a agência Lusa.
 
Os resultados são considerados “surpreendentes”, uma vez que, de acordo com os investigadores, “o peixe é rico em ácidos gordos da série ómega 3 e este tipo de ácidos gordos promove a produção de um tipo de substâncias com propriedades anti-inflamatórias”.
 
“Pensávamos que este mecanismo anti-inflamatório poderia atuar como protetor para o desenvolvimento de doenças respiratórias nas crianças, o que não se observou, juntando dados de diferentes populações”, explicou Andreia Oliveira, uma das investigadoras do ISPUP envolvida neste estudo internacional, juntamente com Henrique Barros.
 
A investigação envolveu 60.779 mães e crianças, pertencentes a 19 coortes (estudos longitudinais) - 18 europeias e uma dos Estados Unidos - que integram a rede europeia CHICOS, a qual visa melhorar a saúde infantil na Europa, através da investigação integrada de coortes mãe-filho no espaço europeu.
 
Os dados portugueses foram integrados com a informação proveniente das restantes coortes, e harmonizados, com o objetivo de se fazer, posteriormente, uma estimativa conjunta, que permitisse retirar conclusões a nível europeu.
 
“A vantagem deste tipo de estudos reside no facto de juntarmos informação de diferentes coortes que são muito heterogéneas. Existem coortes em que as mães consomem muito peixe e outras em que consomem pouco peixe. Como tínhamos um âmbito de variação da exposição bastante alargado, e dada a plausibilidade biológica conhecida, esperávamos encontrar uma associação entre o consumo de peixe durante a gravidez e a saúde respiratória da criança”, referiu Andreia Oliveira.
 
Contudo, os resultados não apontam para que exista evidência de um possível efeito protetor do consumo de peixe, de pelo menos uma vez por semana durante a gravidez, e o desenvolvimento de pieira, asma e rinite alérgica, durante a infância.
 
Os investigadores analisaram ainda o consumo por tipo de peixe (gordo ou magro) e fizeram algumas análises de sensibilidade (retirando uma coorte de cada vez, analisando o efeito por área geográfica das coortes, por exemplo), mas não conseguiram mostrar qualquer associação.
 
Para além da coorte portuguesa, o estudo contou com a participação de coortes provenientes dos Países Baixos, Dinamarca, Bélgica, Itália, Noruega, Espanha, Irlanda, França, Grécia, Reino Unido e Estados Unidos.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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