Consumir muitas calorias aos quatro anos é prejudicial no futuro

Estudo publicado na revista "Public Health Nutrition"

09 junho 2017
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Um estudo desenvolvido no Porto concluiu que crianças que comem alimentos calóricos e com muito açúcar aos quatro anos têm tendência a desenvolver maior gordura corporal aos sete, situação que se verifica mais nas raparigas, anunciou a agência Lusa.
 
Estes resultados podem ser explicados pelas "diferenças hormonais e de composição corporal, que se manifestam antes do início da puberdade", como é o caso de "uma maior massa gorda relativa nas raparigas", disse a investigadora Catarina Durão, do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP), onde foi conduzido o estudo.
 
De acordo com a especialista, estas diferenças podem ainda estar relacionadas com um ressalto adipocitário (período na infância em que se reinicia o aumento do índice de massa corporal), que acontece mais precocemente nas raparigas.
 
A investigação, que envolveu 3.473 crianças da 'coorte' Geração 21 - projeto de investigação que acompanha cerca de 8.600 crianças da cidade do Porto, desde o nascimento - mostra que 44% das raparigas e 45% dos rapazes avaliados aos quatro anos, já praticam um "padrão alimentar excessivo".
 
Esse padrão inclui, segundo a investigadora, alimentos demasiado calóricos e com pouco interesse do ponto de vista nutricional, como bolos, doces, refrigerantes, néctares, charcutaria, pizas, hambúrgueres, croquetes, rissóis e batatas fritas.
 
Catarina Durão indica ainda que as crianças que têm esses hábitos alimentares aos quatro anos tendem a mantê-lo aos sete, aumentando, devido a isso, a proporção da ingestão de alimentos demasiado calóricos também nesta idade (49% das raparigas e 53% dos rapazes).
 
"Tendo em conta que a idade pré-escolar é um período particularmente relevante para o estabelecimento de preferências e de hábitos alimentares, esta fase da vida é uma oportunidade de excelência para intervir, já que a criança e a sua família podem estar mais abertas à mudança", referiu.
 
Para a investigadora, as intervenções devem incidir sobre "alimentos com elevada densidade energética e sobre bebidas açucaradas", uma vez que "o consumo destes produtos está associado entre si".
 
Crianças "que consomem mais 'fast food', também bebem mais bebidas açucaradas, comem mais bolos, doces, guloseimas e 'snacks' salgados", explicou.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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