Consumidores de ecstasy enfrentam um maior risco de desenvolver Parkinson

Droga altera a dopamina

10 outubro 2002
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Os consumidores de ecstasy enfrentam um maior risco de desenvolver Parkinson devido aos efeitos que esta droga produz na dopamina, um perigo que aumenta quanto mais curtos forem os intervalos entre as doses.
 

 

George Ricaurte, um investigador de origem equatoriana que participou na apresentação do Instituto Nacional de Investigação e Formação sobre Drogas, descreveu os estudos sobre ecstasy realizados em animais pelo departamento de Neurologia do Instituto Médico John Hopkins de Baltimore (Maryland - EUA), onde trabalha.
 

 

As investigações, publicadas na revista Science, indicam que o MDMA (denominação científica para o ecstasy) produz um "dano selectivo no cérebro", pois além de destruir células de serotonina produz lesões "ainda mais importantes" na dopamina.
 

 

As alterações nas células dopaminológicas, com efeitos no movimento, prazer e funções cognitivas, estão relacionadas com doenças degenerativas como a de Parkinson, que se manifesta quando se perde entre 80 a 90 por cento da dopamina.
 

 

Críticas
 

 

Ricaurte aceitou algumas críticas às suas investigações segundo as quais não ocorreu nenhum caso de Parkinson induzido por MDMA e admitiu que ainda "não se conhece se os resultados dos seus estudos em macacos são totalmente extrapoláveis para os humanos".
 

 

No entanto, sublinhou, "o cérebro de um consumidor de MDMA apresenta danos".
 

 

Acrescentou que apesar de não se manifestarem os efeitos no imediato, "sabe-se que com a idade o nível de dopamina se reduz, pelo que um consumidor desta droga estará em maior risco de desenvolver Parkinson".
 

 

Ricaurte acrescentou que um consumo sequencial "numa única noite de festa" pode danificar 60 por cento do sistema dopaminológico, e alertou que os consumidores de ecstasy "devem ter em mente que esta droga causa danos selectivos no cérebro, uma vez que prejudica as células que produzem serotonina e as que produzem dopamina".
 

 

O investigador explicou que a ingestão de ecstasy em intervalos curtos de tempo (2 ou 3 doses em intervalos de três horas, o padrão de consumo nas grandes festas) tem efeitos piores sobre a dopamina que um consumo distanciado em oito horas, mesmo que a dose seja maior.
 

 

Destacou igualmente a "grande utilidade" do recém criado Instituto Nacional de Investigação e Formação sobre Drogas, já que, vincou, vai permitir "passar a investigação sobre este tema para a sociedade, favorecendo os contactos com outras instituições internacionais semelhantes".
 

 

Fonte: Lusa
 

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