Consultas de oncologia têm que ter duração suficiente

Alerta a Liga Portuguesa Contra o Cancro

12 novembro 2015
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A Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC) considera que as consultas de oncologia têm que ter duração suficiente para um doente ficar esclarecido sobre as alternativas terapêuticas existentes e, desta forma, poder decidir conscientemente qual o tratamento que prefere.
 

“A nós [LPCC] preocupa-nos mais incutir no doente que tenha um papel ativo na decisão, no que vai acontecer, nos atos médicos participados, e que a equipa médica olhe para o doente e não para a doença. Há pouco tempo para o diálogo com o doente e é necessário. Não é possível com 20 minutos para cada doente”, disse à agência Lusa o médico oncologista Carlos Oliveira.
 

Esta é uma das alterações possíveis e necessárias na área da oncologia, que assiste a um aumento dos casos de cancro, mas também do número de sobreviventes, e que precisa de mudar o paradigma dos cuidados médicos, centrando-os no doente e não na doença, defende o presidente do núcleo regional do Centro da LPCC.
 

Nos dias 12 e 13 de novembro, em Coimbra, uma conferência internacional subordinada ao tema “cancer patient advocacy”, conceito nascido nos Estados Unidos nos anos 50 e que diz respeito ao apoio, à proteção, à defesa e à informação ao doente, para intervir na decisão, explicou.
 

“Verificou-se em todo o mundo desenvolvido um aumento muito grande de doentes com cancro e, sobretudo, sobreviventes de cancro. Não se usa o termo cura em cancro, mas acaba por haver sobrevivência a longo prazo, o que fez com que este conceito viesse à ribalta”, disse o responsável da LPCC, que organiza a conferência.
 

Este conceito assenta em três pilares: medicina centrada no doente e não na doença, participação do doente na decisão, quer em técnicas de diagnóstico, quer na decisão de tratamento, e finalmente proteção do doente em relação ao erro médico e ao erro em saúde.
 

“Pretende-se mudar o paradigma de cuidados médicos e permitir maior intervenção do doente no que lhe é proposto. No cancro, por vezes, para a mesma situação já há mais do que uma alternativa terapêutica, ambas validadas cientificamente e com os mesmos resultados. Aqui o doente deve participar”, explicou o médico.
 

O primeiro passo é um pontapé de saída para nos organizarmos, como toda a Europa, para que, com todas as organizações de doentes, darmos voz aos doentes e estimular uma intervenção maior do doente na decisão.
 

Atualmente impera toda uma filosofia diferente de abordagem muito centrada na doença, em que o médico é o principal decisor. “É comum termos doentes que perante duas terapêuticas possíveis respondem ‘o senhor é médico, escolha o melhor para mim'. Esta atitude tem que ser modificada, os médicos têm que explicar as vantagens e desvantagens das alternativas e o doente tem que escolher”, conclui.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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