Conhecer melhor a esquizofrenia

«Défice Cognitivo na Esquizofrenia. Dos Consensos às Incertezas»: um livro que pretende ajudar médicos e pacientes

04 maio 2003
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«Défice Cognitivo na Esquizofrenia. Dos Consensos às Incertezas», é o livro da autoria do professor Marques Teixeira, que será lançado quinta-feira, dia 8, pelas 18 horas, na FNAC do Colombo, em Lisboa. Trata-se de um livro de referência na doença mental que fala da função cognitiva nos doentes esquizofrénicos e a sua importância para a reabilitação social e psicológica do doente.
 

 

A esquizofrenia é uma doença devastadora causada por uma alteração da função do cérebro e é surpreendentemente comum. A Organização Mundial de Saúde (OMS) calculou recentemente que 45 milhões de pessoas no mundo têm esta doença, implicando um grande peso económico e social.
 

 

As pessoas com esquizofrenia tendem a valorizar o seu mundo subjectivo, dominado por uma realidade muito distante da realidade comum. O seu pensamento pode-se tornar bizarro e distorcido e as suas reacções emocionais pouco profundas e inadequadas. Para além disso, uma esfera da vida psicológica frequentemente atingida é a esfera da cognição. Um conjunto de funções que asseguram o funcionamento da memória, da planificação das actividades e da projecção no futuro. Por isso, estes doentes, com frequência, perdem algumas capacidades de organização, panificação e orientação num sistema de coordenadas que asseguram uma cabal articulação entre o passado, o presente e o futuro.
 

 

Pretende-se com esta obra introduzir alguma luz nesta zona de penumbra que a disfunção cognitiva nos doentes esquizofrénicos ainda constitui.
 

 

Esta obra pretende, antes de mais, definir uma bateria de testes neurocognitivos organizados para a avaliação das funções cognitivas nos doentes esquizofrénicos. Isto é, enquadrar os diferentes défices nas várias funções cognitivas e o modo específico de as avaliar nestes doentes.
 

 

Dada a importância da reabilitação, sobretudo após o aparecimento dos novos fármacos antipsicóticos, é dado, nesta obra, um relevo especial às ligações entre a função cognitiva e o funcionamento social, sobretudo no que respeita aos instrumentos que estão correlacionados com determinados défices sociais.
 

 

Para o autor do livro, Prof. Marques Teixeira, psiquiatra e professor universitário, «o défice cognitivo, particularmente as competências motoras, a atenção, as funções executivas e a memória, estão associadas com a resposta psicossocial e com a capacidade para se desenvolver uma vida independente depois da doença.»
 

 

Esta obra tem o objectivo de ajudar os especialistas a desenhar as estratégicas da reabilitação profissional específicas para cada doente.
 

 

Estudos revelam que os antipsicóticos atípicos, quando comparados com os antipsicóticos convencionais, melhoram as funções cognitivas nos doentes esquizofrénicos. A fluência verbal, as funções motoras, as funções executivas e a atenção foram as que mais responderam aos novos antipsicóticos, melhorando a qualidade de vida do doente.
 

 

Os antipsicóticos de 2ª geração resguardam a função cognitiva, entre outros mecanismos, através da ausência de efeitos anticolinérgicos (como, por exemplo, secura de boca, visão turva, obstipação, retenção urinária e, naturalmente, défice cognitivo). Por isso, considera-se que o efeito dos novos antipsicóticos, ao não comprometer e até melhorar os défices cognitivos, contribuiu para uma melhor ressocialização dos doentes.
 

 

Este livro foi escrito a partir de todo um trabalho ligado à pesquisa sobre cognição humana que o Prof. Marques Teixeira mantém no Laboratório de Psicofisiologia da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto e a prática clínica de 20 anos com doentes esquizofrénicos.
 

 

MNI-Médicos Na Internet
 

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