Congresso Norte-americano inquere o FDA acerca da clonagem

Onde iremos parar?

12 março 2001
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Em 1998 a Food and Drug Administration (FDA), agência fiscalizadora dos medicamentos e alimentos consumidos nos EUA, criou uma série de normas que obrigava a aprovação da agência a qualquer experimentação médica em humanos, incluindo clonagem.
 

 

Todas as propostas tinham que ser revistas e aprovadas pela FDA como sendo seguras. Este pré-requisito é difícil de atingir com as tecnologias existentes uma vez que é aceite que, hoje em dia, essas experimentações acarretam consigo perigos das mais variadas ordens. Considera-se a clonagem como uma técnica não-segura, que apresenta grandes probabilidades de aparecimento de deficiências e degenerências em possíveis bebés clonados, por experiências em outros seres vivos.
 

 

Agora é o Congresso norte-americano que pretende saber o que tem feito a FDA em termos de fiscalização de projectos de clonagem. James Greenwood, um membro do Congresso e presidente da assembleia do "House Energy and Commerce Subcommittee on Oversight and Investigations", enviou uma carta à FDA pedindo-lhe que esclarecesse o que tem feito desde então como medidas de fiscalização de projectos de clonagem e experimentação em humanos. Este procedimento vem no seguimento do aparecimento de uma cascata de notícias relativas à investigação de clonagem em humanos.
 

 

A revista Time, por exemplo, publicou na capa do mês passado um artigo sobre os potenciais perigos e vantagens da clonagem e informou que muitos cientistas estavam quase prontos para efectuar clonagem em humanos.
 

 

Especialistas em infertilidade como o Dr. Panos Zavos e Sevrino Antinori afirmam estar a formar um consórcio para criar o primeiro clone humano e ajudar centenas de casais estéreis que procuram ajuda.
 

 

Cientistas na Coreia do Sul afirmam já terem clonado um embrião humano mas disseram tê-lo destruído em vez de implantá-lo num útero de uma mulher.
 

 

Histórias recentes nas revistas Wired e New York Times noticiam os esforços levados a cabo por uma seita religiosa canadiana, os Raelians, que, para além de quererem ser os primeiros a dar as boas-vindas a extraterrestres que nos visitem, têm intenções de clonar um rapaz de 10 anos
 

que morreu e que os pais esperam "fazê-lo viver outra vez" por meio de clonagem. Esta seita afirma ter os meios tecnológicos e científicos para o fazer assim como 50 mulheres dispostas a receber o embrião, uma vez que a percentagem de sucesso é baixa.
 

 

Estes indivíduos procuram países com pouca fiscalização para levarem a cabo os seus projectos. A clonagem humana total é banida na maioria dos países mas é legal nos EUA e em Itália, segundo a New Scientist. Vários especialistas afirmam que, teoricamente é possível, de forma mais ou menos simples, clonar um ser humano, e temem que isso esteja a ocorrer clandestinamente.
 

 

A clonagem surge como uma "esperança" para pessoas que querem reaver entes queridos que morreram, "resuscitando-os" e para pessoas que não conseguem ter filhos, não se chocando com o facto de terem filhos geneticamente iguais ao pai ou à mãe.
 

 

É certo que a clonagem humana pode alterar a vida de todas as pessoas e as concepções filosóficas, religiosas, sociais e políticas de toda a humanidade. Muitos especialistas afirmam que a notícia do primeiro bebé clonado está próxima (poucos anos ou até meses) e uma discussão ética séria sobre o assunto é, de certo, fundamental.
 

 

Helder da Cunha Pereira
 

MNI ­ Médicos Na Internet
 

 

Fonte: Reuters, Time Magazine e New Scientist

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