Congo: Professores mortos por causa do vírus Ebola

Pessoas acusadas de feitiço foram espancadas e apedrejadas

27 fevereiro 2003
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Pode parecer história de ficção, mas aconteceu numa pequena aldeia do Congo, em África. Desesperados com o aumento do número de mortos provocados pela epidemia de Ebola, os habitantes de Kelle apedrejaram e espancaram até à morte quatro professores acusados de terem lançado um feitiço para provocar a doença.
 

 

Os casos de Ebola nos distritos de Kelle e Mbomo, perto da fronteira do Congo com o Gabão, teriam sido provocados, segundo cientistas, pelo consumo de carne de macaco contaminada. E, de acordo com as autoridades locais, a epidemia já matou cerca de 70 pessoas na região. Mas muitos moradores da região acreditam que a responsabilidade está nas mãos de quem pratica bruxarias. «Em Kelle, as pessoas continuam a acreditar que o Ebola é um feitiço lançado por bruxas. E os quatro professores acusados de terem provocado a doença foram espancados e apedrejados até a morte», declarou Dieudonne Hossie, uma autoridade local que não informou quando os professores foram assassinados.
 

 

Em declarações dadas a uma rádio do país, Hossie lançou um apelo urgente: «Pedimos aos moradores de Kelle que tenham calma. É o vírus Ebola que está a atingir a região, e não um feitiço maligno».
 

 

Na semana passada, a OMS (Organização Mundial de Saúde) confirmou que os casos de febre hemorrágica registrados no Congo tinham sido provocados pelo Ebola. Segundo a OMS, 64 pessoas já morreram. Este é o segundo surto provocado pelo Ebola em pouco mais de um ano no noroeste do Congo.
 

 

O vírus, transmitido por fluídos corporais, mata entre 50 a 90 por cento das pessoas contaminadas. O doente morre em consequência de uma hemorragia interna generalizada. O pior registo de casos da doença aconteceu em 1995, quando mais de 250 pessoas morreram.
 

 

 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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