Confiança é um resultado estatístico?

Estudo publicado na revista “Neuron”

23 maio 2016
  |  Partilhar:

O cérebro humano está constantemente a processar dados para realizar avaliações estatísticas que se traduzem na sensação conhecida por confiança, dá conta um estudo publicado na revista “Neuron”.
 

O sentimento de confiança é fundamental para a tomada de decisões e, apesar da ampla evidência da fiabilidade humana, o sentimento subjetivo depende de cálculos objetivos. "Em última análise, o sentimento, depende dos mesmos cálculos estatísticos que um computador faria", referiu em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Adam Kepecs.
 

O sentimento de confiança é muitas vezes associado à tomada de grandes decisões, como a escolha de uma carreira ou investimentos financeiros. No entanto, a confiança também orienta as decisões das ações quotidianas. O investigador explica que, sempre que tomamos decisões, precisamos de confiança. Se não tivéssemos um mecanismo preciso para a confiança teríamos dificuldades em corrigir decisões ou fazer apostas.
 

Apesar de a confiança humana ser uma sensação, há também uma noção científica de que esta se baseia em métodos estatísticos para calcular a certeza de uma hipótese. O cálculo de confiança, no âmbito da estatística, envolve a análise de um conjunto de dados e uma conclusão com bases nesses mesmos dados.
 

Estudos anteriores concluíram que a confiança é resultante, em grande parte, de aproximações e heurística, ou seja, os sentimentos de confiança têm alguma objetividade, mas no fundo são atalhos propensos a erros para um verdadeiro cálculo estatístico.
 

Contudo, se a confiança está sujeita a erros, as tarefas simples, como tomar a decisão de fazer uma curva durante a condução, seria difícil. De forma a determinar se o sentimento humano de confiança pode ser um cálculo objetivo, os investigadores desenvolveram uma experiência com um conjunto de dados controlado para a avaliação dos indivíduos.
 

Os investigadores desenvolveram jogos de vídeo para comparar o desempenho humano e de um computador. Os participantes ouviram um conjunto de cliques e identificaram os mais rápidos, tendo classificado a confiança das escolhas numa escala de um (um palpite aleatório) a cinco (elevada confiança). O estudo apurou que as respostas humanas foram semelhantes aos cálculos estatísticos. O cérebro produz sentimentos de confiança que dão origem a decisões da mesma forma que a estatística extrai padrões de dados com ruído.
 

Posteriormente, foi utilizado o mesmo modelo para avaliar a confiança humana, em que os participantes responderam a questões, tendo sido comparadas as populações de diferentes países. Contrariamente, ao teste de perceção, este teve a complexidade adicional da base de conhecimento individual de cada participante.

 

Mesmo as fraquezas humanas, tais como ter excesso de confiança face a decisões difíceis com dados de má qualidade ou baixa confiança perante escolhas fáceis, foram consistentes com o modelo do estudo. "Este sentimento subjetivo de confiança baseia-se num cálculo estatístico. A confiança não é uma heurística ou um atalho”, referiu Adam Kepecs.
 

O investigador está a planear utilizar este modelo de confiança como um ponto de partida para encontrar a localização da confiança no cérebro e perceber o seu circuito neuronal. "Ter uma teoria sobre a confiança é um primeiro passo necessário para descobrir como o cérebro realmente o faz, como as células nervosas realizam este processo", concluiu o investigador.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.