Conferência sobre diabetes - 11.000 especialistas reunidos na Hungria

Doença afecta cerca de meio milhão de portugueses

03 setembro 2002
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Especialistas em diabetes de toda a Europa e de quase 60 países do mundo reuniram-se em Budapeste para o 38º encontro anual sobre a doença, que, só em Portugal, afecta meio milhão de pessoas.
 

 

A reunião, que decorrerá até quinta-feira, permitirá analisar os avanços mais recentes na luta contra a doença, que é a primeira causa de amputações não traumáticas, de insuficiência renal e de enfarte do miocárdio em indivíduos com menos de 40 anos.
 

 

Os investigadores presentes na capital húngara indicaram que existem na Europa mais de dez milhões de afectados pela diabetes, número que admitem poder duplicar nos próximos 25 anos.
 

 

Combater a obesidade e o sedentarismo são as melhores formas de prevenir a diabetes mais comum (tipo 2), uma verdadeira pandemia, enquanto se aguardam os desenvolvimentos dos milhares de projectos de investigação que avançam em todo o mundo.
 

 

No entanto, vários especialistas contactados pela Agência Lusa foram unânimes em considerar que ainda é prematuro fazer previsões sobre a "cura" da diabetes.
 

 

Os especialistas notam que é difícil falar em cura porque a diabetes envolve um conjunto de alterações no metabolismo e não pode ser tratada como se fosse uma só doença.
 

 

A diabetes caracteriza-se pelo aumento dos níveis de açúcar (glucose) no sangue, provocando, só em Portugal, a morte a mais de 3.000 pessoas por ano, segundo dados da Direcção geral de Saúde.
 

 

Esta doença resulta de uma deficiente capacidade de utilização pelo organismo da principal fonte de energia, a glucose, proveniente da transformação dos açúcares e amidos da alimentação.
 

 

Depois de absorvida, a glucose entra na circulação sanguínea e está disponível para ser utilizada pelas células.
 

 

Mas as células só podem absorver o açúcar, convertendo-o em energia, quando a insulina, produzida no pâncreas, se fixa na sua superfície.
 

 

Na diabetes tipo 1 (também chamada insulino-dependente), a mais rara (que afecta cerca de 30.000 pessoas em Portugal), há um processo inflamatório que destrói as células que produzem insulina no pâncreas, as células Beta.
 

 

Embora ainda se desconheça o que desencadeia esta infecção, sabe-se que é o próprio sistema de defesa do organismo (sistema imunitário) do diabético que ataca e destrói as suas células.
 

 

Quando o pâncreas não segrega nenhuma ou muito pouca insulina, o organismo não pode absorver açúcar do sangue e a sua concentração torna-se demasiado elevada (hiperglicémia).
 

 

Uma vez desenvolvido o problema, não existe forma de ressuscitar as células produtoras de insulina.
 

 

Esta forma da doença afecta sobretudo jovens, que necessitam de terapêutica com insulina para toda a vida.
 

 

Não é realista pensar a curto prazo em nenhuma forma de prevenção da diabetes tipo 1, já que é muito complicado perceber a génese das doenças auto-imunes, afirmam os cientistas.
 

 

Vários laboratórios de todo o mundo estão a tentar encontrar a melhor forma de "prever" quais os indivíduos mais propícios a desenvolver a doença, através de uma combinação de marcadores genéticos e imunológicos.
 

 

Falta de exercício físico, alimentação pouco faseada, rica em açúcares e gorduras e com poucas fibras ou leguminosas secas são factores que contribuem para que o número de diabéticos em Portugal tenha duplicado nos últimos 15 anos.
 

 

Na diabetes tipo 2, um problema que afecta entre 2 a 10 por cento da população mundial, o pâncreas é capaz de produzir insulina.
 

 

Contudo, a alimentação incorrecta e a vida sedentária tornam o organismo resistente à acção da insulina (insulino- resistência), obrigando o pâncreas a trabalhar mais e mais, até que a insulina que produz deixa de ser suficiente, altura em que surge a diabetes.
 

 

Gestos simples como trocar de vez em quando o carro por um passeio a pé ou incluir a sopa no início de cada refeição (que produz rapidamente uma sensação de saciedade) podem ajudar a prevenir a diabetes tipo 2.
 

 

Fonte: Lusa

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