Condutores profissionais e as dores nas costas

Muitas horas ao volante não produz danos na coluna vertebral

24 outubro 2002
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Quem viaja muito de automóvel conhece bem o cansaço físico que provoca: dores nas costas, pescoço e cabeça, além do ardor nos olhos são algumas das consequências das longas viagens de carro.
 

 

Mas, se muitos pensam que viajar de carro pode prejudicar gravemente a saúde das costas, uma equipa de especialistas alega não ser bem assim. Se não, como se explicaria o facto dos condutores profissionais, que passam anos ao volante, não padecerem de degenerações nas vértebras da coluna vertebral.
 

 

Esta foi a principal conclusão de um estudo feito junto de motoristas de longo curso. Na verdade, as pessoas que ganham a vida ao volante têm um índice mais elevado de dores nas costas, mas alguns especialistas tem vindo a especular sobre a denominada «vibração total do corpo» - que acontece com a trepidação da viatura conduzida – que poderia provocar a degeneração das vértebras.
 

 

Esta degeneração sucede de forma natural com o envelhecimento discal, mas os especialistas pensavam que o facto de fazer da condução uma profissão poderia acelerar o processo.
 

 

No entanto, no estudo que a equipa realizou com vários profissionais do sexo masculino – irmãos gémeos com anos de experiência ao volante - , não indicou «o mais ligeiro» sinal que a ocupação laboral estivesse relacionada com uma degeneração discal.
 

 

O estudo foi publicado no site da revista - www.thelancet.com - e, segundo os investigadores, estas são mesmo «boas notícias» para os condutores profissionais.
 

 

Battie, investigadora na Universidade de Alberta, em Edmonton, Canadá, refere que os resultados da investigação tranquilizam os condutores que sofrem de dores nas costas, no sentido em que não é provável que seja o seu o ofício o causador de danos vertebrais irreversíveis.
 

 

O estudo envolveu 45 pares de irmãos gémeos verdadeiros finlandeses, todos rondando os 50 anos. Um dos gémeos era condutor profissional há pelo menos mais cinco anos que o irmãos.
 

 

Os investigadores utilizaram scanners de ressonância magnética para estudar a estrutura da coluna vertebral dos participantes. Mesmo assim, também tomaram em conta outros factores que poderiam prejudicar a coluna vertebral, como carregar pesos durante o trabalho e trabalhar em posturas inclinadas.
 

 

Battie e os seus colegas não encontraram sinais de degeneração acelerada na parte inferior da coluna vertebral, bem como outras anomalias estruturais entre os gémeos que conduziam mais, em comparação com os irmãos.
 

 

Em vez de estar relacionado com os transtornos estruturais da coluna vertebral, indicou Battie, o índice superior de queixas dos motoristas em relação às costas poderá dever-se aos efeitos de uma «postura forçada» sobre os músculos e tendões que sustentam a coluna.
 

 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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