Condutores idosos deveriam ser submetidos a testes psicológicos

Defende uma psicóloga clínica

22 maio 2014
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Os idosos que apresentam “algum tipo de declínio funcional” deviam fazer exames psicológicos para avaliar a sua aptidão para conduzir, defende uma especialista em avaliação psicológica.

“A avaliação psicológica tem a possibilidade de avaliar funções cognitivas, aspetos emocionais e comportamentais que uma avaliação médica não consegue aferir de forma rigorosa e formal numa consulta”, revelou à agência Lusa Inês Saraiva Ferreira, autora do estudo “Avaliação psicológica de condutores idosos: Validade de testes neurocognitivos no desempenho de condução automóvel”.

A psicóloga clínica adiantou que a obrigatoriedade destes testes psicológicos, que atualmente apenas abrange os condutores profissionais, devia ser alargada “a pessoas que estão a perder capacidades” ou que têm doenças neurológicas, demências, Parkinson e esclerose múltipla.

“Nestes grupos clínicos específicos seria importante fazer, de um modo sistemático, avaliações psicológicas”, defendeu.

 

A investigadora acrescenta que é necessário que os médicos estejam sensibilizados para essa necessidade. Inês Saraiva Ferreira acrescenta que os psicólogos também têm de sensibilizar a comunidade científica e a comunidade médica para essa necessidade.

 

Inês Saraiva Ferreira explicou que “os testes psicológicos são preditivos daquilo que as pessoas idosas fazem em contexto real de trânsito”, conforme constatou no trabalho que realizou e que teve como base a tese de doutoramento que apresentou na Universidade de Coimbra.

 

De acordo com o estudo, os idosos com pior desempenho de condução obtiveram resultados inferiores nos testes psicológicos que verificaram as funções executivas, visuo-espaciais, visuo-percetivas e a atenção visual.

 

A investigadora acrescentou que já há profissionais de saúde sensibilizados para a necessidade de ser realizada, além do exame médico, uma avaliação psicológica, através de instrumentos de avaliação mais formais.

 

“Mas em regra (…) nem sempre os médicos estão sensibilizados para essa necessidade e ficam apenas pela sua avaliação médica, que é mais centrada nas doenças e no aspeto físico e não tanto nos aspetos cognitivos que os psicólogos estão preparados para avaliar”, lamentou.

 

“Se queremos fazer uma avaliação rigorosa, teremos sempre que recorrer a instrumentos de avaliação psicológica, se não nunca vamos conseguir saber em que condição os idosos estão a conduzir nas estradas”, sustentou.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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