Concussões cerebrais podem ser diagnosticadas através de teste sanguíneo

Estudo publicado no “JAMA Neurology”

01 abril 2016
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Investigadores americanos foram capazes de detetar concussões cerebrais em pacientes sete dias após a lesão através de um teste sanguíneo simples, refere um estudo publicado no “JAMA Neurology”. 
 
"Os sintomas de uma concussão, ou de uma lesão cerebral traumática ligeira a moderada, podem ser subtis e ter início, em muitos casos, apenas vários dias mais tarde. Isto pode fornecer aos médicos uma ferramenta importante para diagnosticar com precisão os pacientes, particularmente as crianças, e garantir que são tratados adequadamente”, revelou, em comunicado de imprensa, a líder do estudo, Linda Papa.
 
Estima-se que quase um quarto de um milhão de crianças sejam tratadas anualmente por concussões resultantes da prática de desportos. Quase todas as concussões em crianças são diagnosticadas apenas pelos sintomas que podem ser observados, como vómitos ou perda de equilíbrio, ou sintomas relatados pela criança, como visão turva ou dores de cabeça. Contudo, com base nestes sintomas, o médico não é capaz de determinar, de forma objetiva, a gravidade da lesão.
 
A investigadora refere que se os pacientes não forem diagnosticados e tratados corretamente podem ter problemas a longo prazo. No caso de as lesões cerebrais traumáticas, como as concussões, não serem tratadas adequadamente pode conduzir a crises prolongadas de dores de cabeça, tonturas, perda de memória e depressão.
 
O biomarcador analisado pelos investigadores da Orlando Health, nos EUA, é conhecido por proteína ácida fibrilar glial (GFAP, sigla em inglês). Estas proteínas podem ser encontradas nas células gliais, que rodeiam os neurónios do cérebro. Quando ocorre uma lesão, a GFAP é libertada. O que as torna únicas é o facto de atravessarem a barreira sangue cérebro e entrarem na corrente sanguínea, sendo, por isso, mais fáceis de detetar através do teste.  
 
Para o estudo, os investigadores analisaram perto de 600 pacientes ao longo de três anos. Verificou-se que o teste sanguíneo foi capaz de detetar lesões cerebrais traumáticas ligeiras a moderadas com 97% de precisão em pacientes com 18 ou mais anos de idade. O teste também indicou quais os pacientes que necessitavam de neurocirurgia para salvar a vida. 
 
Estes resultados sugerem que os médicos podem utilizar o teste uma semana após a lesão. Isto é importante, uma vez que muitos pacientes só procuram ajuda médica alguns dias após a concussão. O teste pode também diminuir drasticamente a necessidade da realização de tomografias, que, apesar de serem o método de diagnóstico mais preciso para a avaliação das lesões cerebrais, é dispendioso e está associado a exposição à radiação.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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