Comunicação sobre segurança alimentar não é eficaz

Resultado de inquérito da Escola Superior de Biotecnologia do Porto

22 janeiro 2019
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Investigadores da Escola Superior de Biotecnologia do Porto concluíram, com base num inquérito sobre mitos alimentares, que as estratégias de comunicação sobre segurança e higiene alimentar não estão a ser "eficazes".
 
Segundo a agência Lusa, o inquérito online tinha como propósito desvendar se os mitos alimentares dos portugueses e se as ideias preconcebidas eram assentes em pressupostos científicos, e envolveu cerca de 100 pessoas que, no total, apresentaram variados mitos e “crenças populares”.
 
Em declarações à Lusa, Paula Teixeira, a investigadora responsável pelo projeto ‘SafeconsumE’ em Portugal, revelou que o inquérito demonstrou que as estratégias e mensagens sobre higiene e segurança alimentar “não estão a ser eficazes” e que é necessário “implementar e adotar novas medidas de comunicação”.
 
De acordo com a investigadora, muitas das questões identificadas pelos inquiridos eram "comuns", como a regra dos cinco segundos, as cozinheiras terem sempre as mãos limpas, lavar a carne antes de a cozinhar ou até o prazo de validade dos iogurtes.
 
Contudo, foram questões como o “mito dos ovos”, o guardar alimentos quentes no frigorifico e o facto de as pessoas acreditarem “piamente nos seus sentidos”, que causaram maior “incredibilidade” à equipa.
 
“Algumas pessoas disseram que os ovos que flutuam na água estão estragados. O ovo pode até não estar estragado, mas regra geral, não se deve comer. Outras disseram o que, de facto, é mito: que para saber se um ovo é seguro devo verificar se flutua ou não em água. Não podemos verificar isso, apenas em laboratório”, frisou.
 
Relativamente aos alimentos quentes serem guardados no frigorífico, Paula Teixeira explicou à Lusa que não é “por serem guardados quentes que se estragam”, mas sim porque demoram mais tempo a arrefecer, dando “tempo suficiente aos organismos que vão estragar o alimento para crescerem”.
 
Quanto ao facto de as pessoas recorrerem aos sentidos para detetar se o alimento está estragado, a investigadora esclareceu que grande parte das bactérias que causam doença “não estragam nada”, na medida em que são “tão silenciosas” que não é notória qualquer alteração.
 
Segundo a responsável, é por isso necessário "arranjar formas" de desmistificar algumas questões e perceber quais são as "barreiras" à implementação de práticas seguras, de modo a transmitir a mensagem correta aos consumidores.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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