Comunicação pelo olhar

Cães entendem sinais humanos

04 junho 2003
  |  Partilhar:

Se pensa que ao seu cachorro só falta falar e que ele tem uma habilidade impressionante de saber quando está a fazer o jantar para mostrar aquele focinho de mendigo, saiba que uma equipe de investigadores demonstrou agora que as suas suspeitas são pura verdade.
 

 

Os cães, tanto filhotes como adultos, são os animais que melhor entendem os sinais emitidos pela comunicação humana. Mesmo lobos domesticados e criados por seres humanos não têm a mesma capacidade --diferentemente de filhotes de cães com poucas semanas de vida.
 

 

 

Segundo uma equipa da Universidade Eotvos, de Budapeste, Hungria, os cães aprenderam a comunicar-se com o olhar, como os humanos, depois de 15 mil anos de convivência e domesticação.
 

 

Adam Miklosi e a sua equipa compararam a resposta de cachorros e de lobos (seus ancestrais genéticos) a acções humanas. Os resultados mostram que tanto lobos domesticados quanto cães conseguem encontrar comida indicada com a mão por um ser humano, mas a performance dos cachorros é melhor do que a dos lobos.
 

 

Confrontados com uma situação em que não conseguem alcançar a comida, no entanto, os cachorros olham para o humano à espera de uma resposta, enquanto os lobos olham para baixo e tentam descobrir uma forma de alcançá-la.
 

 

Esse tipo de comportamento, com o contacto «olho no olho», é considerado pelo grupo de investigadores como «tipicamente humano». No entanto, esse comportamento não é imitado nem mesmo por nossos parentes mais próximos, os chimpanzés.
 

 

Segundo as conclusões do trabalho, publicado na revista «Current Biology», «a prontidão dos cães em olhar para o rosto humano levou a uma forma complexa de comunicação entre homens e cães que não pode ser obtida com lobos, por mais que tenham sido domesticados».
 

 

O organizador do estudo, Adam Miklosi, comenta: «Eu não diria que os cães são mais inteligentes, mas que têm uma inteligência diferente».
 

 

Um outro estudo realizado por uma equipa internacional testou a «cognição social» em cães, lobos e em num parente bem mais próximo do homem, o chimpanzé. A experiência básica consistia em esconder comida dentro de uns recipientes opacos e dar uma pista para o animal descobrir onde ela estava --por exemplo, colocando um pedaço de madeira em cima, dando uma palmadinha ou olhando directamente para o recipiente.
 

 

Os cientistas tiveram cuidado para que os animais não farejassem a comida. Descobri-la dependia somente das pistas comunicadas pelo ser humano.
 

 

Os competidores tinham todos grandes vantagens: os chimpanzés conseguem perceber diferenças significativas do olhar de outros chimpanzés ou de seres humanos; os lobos também vivem em grupos e transferem a sua lealdade a um líder, assim como cães fazem com o dono humano.
 

 

Neste jogo participaram 11 cães e 11 chimpanzés, para ver quem localizava a comida. E os cães venceram a pontos os macacos: nove deles encontraram a comida, contra dois primatas.
 

 

Os cães também ganharam os lobos, qualquer que fosse a pista --olhar, apontar, ou dar uma palmadinha. Assim como os filhotes também mostraram que eram bons avaliadores dos sinais feitos pelos humanos.
 

 

Os cientistas concluíram que essa aptidão canina surgiu durante o longo processo de domesticação. «Esses resultados dão forte apoio à hipótese da domesticação: que as aptidões socio-comunicativas dos cães com os seres humanos foram adquiridas durante o processo de domesticação».
 

 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.